Concessões capengas de água esgoto

As privatizações ou concessões do setor de saneamento à iniciativa privada no Brasil não é algo novo.  O exemplo de uma única concessão por diversos municípios da Região dos Lagos já ocorreu há cerca de 25 anos, concessão estendida por mais 5 sem por uma agência regulatória estadual bem frágil e nada transparente.  Os benefícios ambientais para a lagoa de Araruama foram desprezíveis ou mesmo contraproducentes.

A recente concessão da maior parte da insustentável Cedae com base em editais preparados pelo BNDES – um compromisso do governo do estado que já vinha de muitos anos por questões fiscais – certamente trará vantagens, mas manteve o sistema de clientela cativa / área de concessão, o que bloqueia ou dificulta em muito a criação de um mercado dinâmico do ponto de vista das tecnologias já amplamente disponíveis nos mais variados campos da gestão do setor e da resiliência contra as inevitáveis crises de escassez.

Os pontos críticos estão na autoprodução de água que aumenta muito a sua disponibilidade em regiões costeiras – evitando custos de transmissão de longa distância – e partindo mesmo para projetos de reuso potável direto – do esgoto para a água potável, cujas tecnologias já se encontram em operação nos mais diversos países.  Nos EUA, Califórnia e Texas partiram na frente há alguns anos.  A Academian Nacioanal de Ciências dos EUA recebeu a encomenda de estudar o reuso potável direto dos efluentes lançados por todos os emissários submarinos do país.

O Brasil, marca o passo nessa área.

A Cesan, do Espírito Santo, e a ArcelorMittal anunciam, agora, a assinatura de um contrato de reuso de esgotos municipais para fins industriais proposto às usinas da Vale no estado há cerca de 25 anos (com estudos de préviabilidade técnica e econômica já então desenvolvidos por empresa de renome internacional; iniciativa considerada com descaso pela Vale e abafada por disputas da política paroquial obscurantista do município de Vitória época de Paulo Hartung e Luiz Paulo Veloso Lucas).  Então, a ArcelorMittal já sabia da escassez futura e havia alcançado 90% de reuso interno, com meta de 25%; a empresa tem, hoje, um dos maiores e mais modernos sistemas de dessalnização do Brasil).

Definitivamente, há que quebrar ao máximo o monopólio dos sistemas de água e esgoto no Brasil.  E isso o BNDES não fará em função das tentativas de garantir fluxos financeiros para os investidores!

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Um dos mais avançados sistemas de gestão de águas do mundo é o de Singapura, 100% público.  Vale um tratado de cooperação técnica.

Note-se que lá a gestão de águas é plenamente integrada: potável, esgoto, drenagem pluvial.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigentes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômica! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema sob as mais diversas óticas.

O que você pensa a respeito?