Hidrogênio verde – Um lero-lero para os muito ricos?


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Subitamente, surgiu uma nova conversa fiada para o controle das emissões globais causadoras de mudanças climáticas: o hidrogênio verde.  O marketing nesse ramo cultua a palavra verde, ainda que,co menos estardalhaço fale no hidrogênio azul que têm o gás natural como fonte primária de energia.  No primeiro caso, trata-se de a “mineração” de água  com a separação do H2 do O num processo denominado eletrôlise, já conhecido há tempos e que requer massivos aportes de eletricidade.  “Verde” se essa eletricidade for de origem solar ou eólica.

O hidrogênio “verde” só se viabiliza com elevados créditos de carbono que, evidentemente, serão pagos ao consumidor final pela substituição de um combust´ível sujo por um limpo.  Lá! A questão central é a de sempre: qual o benefício disso para países como o Brasil, que exportarão energia limpa e água sem a retenção de impostos locais, com a eletrólise feita em “zonas de processamento industrial”?

Além disso, alguma geração de emprego nas áreas de solar e eólica de grande porte, já amplamente dominadas por capitais estrangeiros num ciclo em que a escassez de energia no Brasil tende a se acentuar e os preços a aumentarem.

Até aí, nada de estranho se não fosse o lero-lero globalista dos países desenvolvidos que martelam o fato de que a redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas têm que ser feita em escala global e – apesar das imensas queimadas que por lá chamam de “incêndios florestais”, por razões de política interna ou regional insistem na balela de que a Amazônia é o pulmão do mundo enquanto saqueiam os mares até mesmo com mineração de águas profundas.

Só rindo: 55% da capacidade mundial instalada no mundo operam com óleo e carvão.  Essas usinas não serão desligadas e talvez nem sequer terão a sua capacidade reduzida.

Uma das partes mais divertidas desse simulacro no Brasil  foi a escolha do Porto de Pec´´em, no Ceará, em função de sua menor distância dos mercados europeus e da teórica disponibilidade de recusos eólicos abundantes na região (teórica porque na prática os pedidos de licenciamento ambiental não avançam, ainda que sejam bem mais simples do que os de novas plataformas de petróleo)).  O IBAMA cozinha em fogo brando, empurra com a barriga, convoca novos grupos de trabalho para fazer estudos,  Além disso, em terra, pelo menos um grande investidor numa grande central solar em terra já deixou o Ceará em decorrência de exigências ambientais um tanto descabidas.

Uma questão fundamental, no entanto, é que o Ceará não é um estado com tanta abundância de água que possa fazer a eletrólise com folga – exceto se optar pela dessalinização que aumenta significativamente a demanda de energia elétricca…. verde.  Ao contrário, o estado teria que usar água da transposição do São Francisco – cara – e está sujeito a importantes ciclos periódicos de seca.

Produzirmos, aqui, de 8 GW de energia para chegarem 1,5 GW ao destino final – como os países nórdicos e a Alemanha – não parece nada sensato, sobretudo tendo em mente – repita-se – que os atuais elevados preços / subsídios para o mercado de carbono serão – como sempre foram – pagos lá, à empresa que substitui um combustível sujpo por um limpo (como, aliás, sempre ocorreu no passsado), até mesmo quando a Alemanha exportou indústrias “sujas” de alta intensidade energética, como foi o caso da ThyssenKrupp, insladada no Rio de Janeiro sob o codinome de Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA.

Certamente, vale repensar todo esse modelo de exportação de energia e de água!!

Porque transferir tecnologia para a disseminação do uso do hidrogênio verde ou asul aqui, eles não vão mesmo, não há hipótese.  E nem mesmo pagar pelos crédito de carbono na origem.

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Na imageem, um trem alemão movido à hidrogênio em fase de testes.  Aqui, avançamos quase nada até mesmo nos sistemas de acumulação / estocagem de energias renováveis, para nem mencionar redes inteligentes e similares.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigentes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômica! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema sob as mais diversas óticas.

O que você pensa a respeito?