As ficções da COP 26 não impressionam mais ninguém – I


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Em março de 1990, realizou-se uma grande conferência no MIT sobre o tema “Energia e Meio Ambiente no Século XXI”.  O grande evento examinou literalmente todos os aspectos da produção, transporte e consumo de energia, e resultou numa publicação com quase 1.000 páginas (que, agora, encontra-se a caminho de um sebo ou do lixo, juntamente com muitas outras publicações do mesmo tipo e que se mostram antiquadas).

Dobrado no meio desse grande e elegante volume de capa dura, encontra-se o convite para o 5° Forum Anual de Financiamentos de Projetos de Energias Renováveis que se realizou em 2003, em Londres, com a presença de mais de 50 especialistas no assunto (ao qual o autor deste blog compareceu como simples membro da platéia).  Aí, já se discutiam os créditos de carbono a serem financiados com sobretaxas impostas aos combustíveis fósseis.

Passaram-se cerca de 30 anos e muitas coisas mudaram, mas londe de alterarem o cerne da estrutura de produção e distribuição de combustíveis em escala global.  Também nada se alterou no fenomenal lero-lero dos “líderes” políticos que estão dando ou darão o seu “oizinho” para as fotos na COP 26 em Glascow, na Escócia.

A única diferença quando comparado esse showzinho com os anteriores como a COP 2015 foi a inesperada presença de Obama que então fez uma proposta aparentemente séria pela oratória e pelo cargo que ocupava, mas que tampouco resultou em absolutamente nada, como todas as outras e como acontecerá com atual.

Muito interessados estão aqueles que poderão se beneficiar de subsídios via créditos de carbono que na quase totalidade terminam nos bolsos das grandes corporações às custas do dinheiro público.

Veja-se o exemplo da Bayer que, às vésperas da esmaecida conferência, resolve anunciar que a redução das a redução das emissões decorrentes do uso de fertilizantes representa enormes oportunidades. Então, a Bayer também quer um naco dos subsídios que serão dados para os créditos de carbono?

Fora os já antigos e consolidados avanços da energia solar fotovoltaica e nas fontes eólicas, em particular em alto mar, o que se pode esperar?  Veículos elétricos, hidrogênio (nem tão  verde), redes inteligentes de transmissão e distribuição, e sistemas de estocagem.

Ainda que em nenhum caso os países altamente desenvolvidos tenham a mais vaga intenção de transferir essas tecnologias para os menos desenvolvidos – que tampouco têm capacidade para recepcioná-las, vale considerar o tema no próximo artigo.

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O lero-lero sobre a Amazônia continuará, evidentemente.  É um excelente caminho para que as economias mais poderosas desviem as atenções das próprias responsabilidades.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigentes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômica! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema sob as mais diversas óticas.

O que você pensa a respeito?