Fontes de energia, emissões e mudanças climáticas – I


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Conceitos, ideias e propostas que objetivam o bem estar e a proteção do meio ambiente e da vida humana são sempre bem vindas, mas a suposição de que o tal “hidrogênio verde” terá algum peso minimammente significativo no padrão energético mundial nos próximos 10 anos é no mínimo ingênua, para não dizer que não passa de uma jogada política e de green washing.

Senão, vejamos.  Em 2019, a geração de eletricidade a partir do carvão representou 36,7% do total mundial, enquanto a participação dos combustíveis fósseis foi de 63,1% (incluindo o carvão).  Do outro lado, a participação das energias renováveis foi de 23,2%, com a energia hidrelétrica sendo responsável por mais da metade desse percentual (uma fonte hoje com poucas possibilidades de expansão significativa).   No mais, reatores nucleares, energia geotérmica e outras fontes de menor peso.

Como se não bastasse, a produção de petróleo rapidamente volta a se aproximar dos níveis pré-pandemia, algo como 96 bilhões barris de petróleo por dia, pouco abaixo dos 102 bilhões/dia previstos antes da pandemia.

E isso depois de um acelerado crescimento das fontes solar, eólica, biomassa (que não chega a ser sustentável no presente por competir com a produção de alimentos), resíduos y otras cositas más.

Todos os dados acima podem ser encontrados na página da Agência Internacional de Energia – IEA, na área “fuels & tecnologies”.

A Agência insiste na necessidade de acelerar muito a geração por fontes renováveis e para por aí, desconsiderando o fato de que investimentos feitos nas fontes convencionais não serão abandonados sem que se o retorno sobre o capital previsto pela iniciativa privada cumpra o seu ciclo,  simplesmente “em benefício da humanidade”, com ou sem a moda do “SDG”

(Aqui, entram debates um pouco mais aprofundados de retornos financeiros sobre os custos nivelados ao longo da vida útil dos investimentos que podem se resumir ao fato de que investidores aceitam menores margens de lucros quando os investimentos já estão foram quase totalmente remunerados se tiverem uma alternativa de maior margem de lucro).

Em palavras simples, a aceleração dessa transição requer altíssimos subsídios – os tais créditos de carbono nunca mostraram resultados significativos  -, num período em que a economia encontra-se extramemte instável em decorrência dos exagerados e bastante inúteis “lockdowns” (como demosntra o desempenho da economia da Suécia).

Finalmente, mas não menos imporante, a aceleração das emissões de metano que estão ocorrendo em decorrência da redução do permaafrost no Ártico não é considerada pela Agência Internacional de Energia mas já está no radar de agências como a NASA há bastante tempo.

Depois do resumo desse quadro razoavemente sombrio, o próximo post trará algumas boas notícias sobre avanços tecnológicos na direção de energias limpas e “menos poluentes” (para além do blá-blá-blá midiático sobre o arroto das vaquinhas e a proteção da Amazônia, as mais destacadas cortinas de fumaças dos zumbientalóides e politícas eleitorais rastaqueras de alguns países ocidentais).

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigentes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômica! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema sob as mais diversas óticas.

O que você pensa a respeito?