Carros Elétricos e Híbridos – Enfim, Um Avanço nas Políticas Públicas

O governo federal resolveu dar os primeiros incentivos fiscais à importação de carros elétricos, híbridos e movidos a células de combustível (hidrogênio). Continuar lendo Carros Elétricos e Híbridos – Enfim, Um Avanço nas Políticas Públicas

Avança o Uso de Painéis Solares Flutuantes… Que Contribuem para a Redução da Evaporação em Reservatórios de Água

Avança no Japão o uso de painéis fotovoltaicos flutuantes que reduzem a necessidade de uso de terras – agrícolas ou não – e reduz a evaporação de água em reservatórios.

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Gerando Eletricidade com o Abastecimento de Água

A água das concessionárias de serviços públicos corre com alguma pressão por dentro de tubulações.  Em alguns casos, com muita pressão, nas principais adutoras e/ou quando a tubulação está indo de um ponto mais alto para outro mais abaixo.

Pois bem, uma empresa resolveu usar essa pressão e/ou diferencial de altura para gerar energia, instalando turbinas dentro das tubulações.

Ainda para quem não entenda inglês, as imagens falam por si próprias.

A tecnologia é uma mistura de conhecimento transformado na produção de algo útil com algumas doses de imaginação, a vontade de inovar.

A empresa, LucidEnergy (nome cuja tradução livre seria “energia lúcida”), não apenas percebeu a oportunidade tecnológica mas o fato de que 6% da energia consumida nos EUA é utilizada para transportar água de um lugar para outro através de tubulações – e esse percentual chega a 20% na Califórnia, onde os sistemas de transmissão de água cobrem longas distâncias.

Também no Brasil as concessionárias de água e esgoto encontram-se entre os maiores – quando não são os maiores – consumidores de eletricidade em suas áreas de concessão, mas não parecem se interessar muito pelo consumo de energia ou pela eficiência no seu uso, nem no coração dos sistemas de bombeamento – com a adoção de bombas de rotação variável – e ainda menos nos sistemas de leitura dos hidrômetros, com a sua substituição progressiva dos atuais equipamentos – cujo percentual de obsolescência é alto – por medidores automáticos remotos, que não requerem o envio de uma pessoa aos locais, com tudo o que isso implica de custo e até mesmo de tráfego de veículos nas cidades.

Ganha uma passagem para o eterno mundo do atraso mental e da inércia institucional quem descobrir na página de uma concessionária de água e esgoto quanto ela gasta de eletricidade por metro cúbico de água produzida e/ou faturada.

E se uma empresa terceirizada de leitura de contas de água já tiver um acordo com a concessionária ou com algum tribunal estadual de contas como fator de indução da inércia?

 

 

 

 

 

 

Eletricidade e Água – Transferindo a Responsabilidade da Ineficiência para os Consumidores

São ridículas e mesmo ofensivas as muitas campanhas que tentam “ensinar” os clientes das concessionárias de água e de eletricidade a serem mais “eficientes” no uso desses dois recursos para os usuários finais, quando as perdas no sistema são imensas nos dois casos.

Em se tratando de eletricidade, os últimos números do Banco Mundial indicam que em 2011 as perdas na transmissão e na distribuição eram de 16% no Brasil – com uma ligeira melhora de 1% em relação anterior -, elevadíssimas quando comparadas com os percentuais de países como a Holanda – 4%, o Canadá, a França e a Austrália – 5% -, os EUA e a China – 6% -, e até mesmo o Chile – 7%.  Consideradas as dimensões continentais de muitos desses países, não há como atribuí-las as distâncias na transmissão como tentar fazer a ANEEL. Continuar lendo Eletricidade e Água – Transferindo a Responsabilidade da Ineficiência para os Consumidores

Reuso Industrial de Água e Boas Práticas de Engenharia

Com razoável atraso – o que não impede que se louve a iniciativa -, o governo do Rio de Janeiro prepara medidas relacionadas ao reuso industrial de água.

Mas ainda foca em garantir receitas extras para a Cedae, a Compahia Estadual de Águas e Esgotos que não consegue nem sequer reduzir as suas perdas e não tem especialidade em reuso -, além de dar ao assunto um tom de soluções rapidíssimas incompatíveis com a necessária elaboração de projetos de engenharia.

De fato, não há alternativas do tipo “café solúvel” e as empresas não podem ser forçadas a comprar água de reuso da concessionária – ou seja, água descartada no meio ambiente, depois da remoção de impurezas – sob pena de que seja criado um imenso desestímulo para essa atividade.  Ou o que se quer é fazê-las engolir uma Odebrecht Ambiental da vida como intermediária para cobrar um pedágio ao levar água da ETE Alegria para a Refinaria de Duque de Caxias?

Ao contrário, o objetivo maior, em escala nacional, deve ser impedir que as concessionárias cobrem pela água que devolvem ao meio ambiente, ainda que depois de tratamento.  Esse tipo de impedimento do reuso já aconteceu em Cubatão num momento em que se cogitou da possibilidade da refinaria lá situada usar os esgotos municipais tratados.  À época, a concessionária privada resolveu que tinha direito a cobrar um “pedágio” pelo que até então lançava num rio.  Resultado: projeto inviabilizado e a Sabesp optando por fazer uma nova captação para atender a refinaria.

Já na década de 1990, o reuso de esgotos da Grande Vitória para abastecer as usinas da Vale foi inviabilizado pelo jogo político-partidário, com a prefeitura da capital decidindo cobrar impostos pelo esgoto com o qual nunca havia se preocupado e a própria concessionária estadual preocupada com a possível perda de uma receita demasiadamente fácil, ainda que recebida às expensas da falta de abastecimento em bairros da periferia, mais pobres.

Excelentes exemplos do atraso mental e institucional das partes envolvidas, todas com cartas escondidas na manga, avessos ao jogo limpo e transparente, com prejuízos para o conjunto da sociedade e para a boa gestão dos recursos hídricos.

Para se ter ideia de como podem ser complexos os projetos de reuso de água para fins de utilização em processos industriais, escolhemos três exemplos (todos da mesma empresa de engenharia apenas por uma questão de facilidade na busca na internet).

O primeiro é um projeto implantado na Austrália e que recebeu o nome de Fábrica de Água de Gippsland, envolvendo o reuso de águas de esgotos domésticos e industriais para o abastecimento de uma fábrica de papel e celulose.  Ninguém ali estava pensando em ganhar dinheiro com a tubulação de 78 km, mas com a boa engenharia e com a seleção da tecnologia adequada.  Nada de empreiteiras!

O segundo é um projeto de reuso de água de tratamento de esgotos municipais para o abastecimento da Refinaria de El Segundo, na Califórnia, cuja concepção se iniciou em 1990 e a inauguração se deu em 1994.

O terceiro é um projeto cuja água também se origina de uma estação de tratamento municipal para o abastecimento de uma usina de geração térmica de eletricidade na cidade de Redlands, uma região semi-árida a 80 km de Los Angeles.

Em todos os casos, da elaboração de bons projetos de engenharia até a sua implantação, foram necessários alguns anos.  Não há projetos na prateleira dos supermercados!  Além disso, todos os projetos citados – como de um modo geral ocorre quando se necessita de água para abastecimento industrial – envolveram tecnologias não disponíveis no Brasil, mas que devem ser importadas, como filtração com membranas e similares.

Para reduzir o impacto da seca sobre as atividades industriais, há muitos caminhos e o mais aconselhável começar a pensar em exigir estudos de viabilidade técnica e econômica, com projetos de engenharia de boa qualidade, além da concessão de isenção de impostos sobre os equipamentos importados a serem utilizados no reuso de água (que chegam a resultar em 70% dos preços finais desses equipamentos colocados no Brasil).

Essa isenção pode ser dada por um determinado prazo para que os fabricantes tenham tempo de avaliar a conveniência de fabricá-los no Brasil (até porque a vida útil das membranas não é muito longa e há necessidade de sua substituição periódica).

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Há cerca de 7 meses, o autor deste blog apresentou uma proposta de ante-projeto de lei promovendo o reuso de água.  A adoção desse anteprojeto como base para o projeto que será encaminhado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é excelente, ainda que um pouco tardia.

O anteprojeto aqui publicado também foi apresentado a lideranças políticas – estaduais e federais – de Minas Gerais e de São Paulo.  Nenhuma delas se interessou.  Agora, ao que parece, São Paulo começa a despertar.

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Atualmente, a tecnologia permite que uma unidade de tratamento transforme água do Tietê ou do canal do Mangue em água potável, com todos os equipamentos dentro de um container.  Mas mesmo para isso há necessidade de fazer as encomendas antes, e não quando a casa desabar sobre a cabeça de todos.

A dessalinização em grande escala tem um preço muito elevado, incompatível com o abastecimento industrial ou agrícola.  No caso da produção agrícola, o reuso de água é mais aconselhável, seguido de sistemas como irrigação por gotejamento, produção em estufas e hortaliças hidropônicas.  E mesmo para a produção de água potável, a Associação de Reuso de Água dos EUA tem concentrado esforços em modelos de comunicação que levem à aceitação do reuso direto após tratamento com tecnologias similares àquelas utilizadas para a dessalinização.  Em palavras simples, evita-se o custo do bombeamento e transmissão da água produzida por longas distâncias.

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Se vai ser iniciada uma grande campanha para evitar o desperdício de água, que tal começar pelos imensos desperdícios das próprias concessionárias dos serviços?  E por regras mais claras para que todas as concessionárias implantem programas de redução de perdas, com macro e micro medição tecnicamente adequadas?