Fontes de energia, emissões e mudanças climáticas – I

Conceitos, ideias e propostas que objetivam o bem estar e a proteção do meio ambiente e da vida humana são sempre bem vindas, mas a suposição de que o tal “hidrogênio verde” terá algum peso minimammente significativo no padrão energético mundial nos próximos 10 anos é no mínimo ingênua, para não dizer que não passa de uma jogada política e de green washing.

Senão, vejamos.  Em 2019, a geração de eletricidade a partir do carvão representou 36,7% do total mundial, enquanto a participação dos combustíveis fósseis foi de 63,1% (incluindo o carvão).  Do outro lado, a participação das energias renováveis foi de 23,2%, com a energia hidrelétrica sendo responsável por mais da metade desse percentual (uma fonte hoje com poucas possibilidades de expansão significativa).   No mais, reatores nucleares, energia geotérmica e outras fontes de menor peso.

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As ficções da COP 26 não impressionam mais ninguém – I

Em março de 1990, realizou-se uma grande conferência no MIT sobre o tema “Energia e Meio Ambiente no Século XXI”.  O grande evento examinou literalmente todos os aspectos da produção, transporte e consumo de energia, e resultou numa publicação com quase 1.000 páginas (que, agora, encontra-se a caminho de um sebo ou do lixo, juntamente com muitas outras publicações do mesmo tipo e que se mostram antiquadas).

Dobrado no meio desse grande e elegante volume de capa dura, encontra-se o convite para o 5° Forum Anual de Financiamentos de Projetos de Energias Renováveis que se realizou em 2003, em Londres, com a presença de mais de 50 especialistas no assunto (ao qual o autor deste blog compareceu como simples membro da platéia).  Aí, já se discutiam os créditos de carbono a serem financiados com sobretaxas impostas aos combustíveis fósseis.

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Hidrogênio verde – Um lero-lero para os muito ricos?

Subitamente, surgiu uma nova conversa fiada para o controle das emissões globais causadoras de mudananças climáticas: o hidrogênio verde.  O marketing nesse ramo cultua a palavra verde, ainda que, com menos estardalhaçoo fale no hidrogênio azul que tem o gás natural como fonte primária de energia.  No primeiro caso, trata-se de  “mineração” de água  com a separação do H2 do O num processo denominado eletrólise, Já conhecido há tempos, esse processo  ainda requer massivos aportes de eletricidade.  As disponibilidades de água doce é um fator crítico, já que a dessalinização  aumenta em muito a demanda de energia.

O hidrogênio “verde” só se viabiliza com elevados créditos de carbono que, evidentemente, serão pagos ao consumidor final pela substituição de um combust´ível sujo por um limpo.  Lá! A questão central é a de sempre: qual o benefício disso para países como o Brasil, que exportarão energia limpa e água sem a retenção de impostos locais, com a eletrólise feita em “zonas de processamento industrial”?

Além disso, alguma geração de emprego nas áreas de solar e eólica de grande porte, já amplamente dominadas por capitais estrangeiros num ciclo em que a escassez de energia no Brasil tende a se acentuar e os preços a aumentarem.

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Solar flutuante – O mundo acelera e o Brasil marca passo

Usinas fotovoltaicas flutuantes têm grandes vantagens, entre as quais evitar o custo de aluguel da terra.  Mas têm uma grande vantagem adicional, em especial em áreas com altas temperaturas e incidência solar, além de ventos: reduzem significativamente a evaporação de água.  E os benefícios desse tipo não são sequer contabilizados no Brasil.

Isso decorre em grande parte da caretice e da compartimentação do sistema político e institucional, que impedem o mero diálogo entre áreas diferentes – quem cuida de água, cuida de água, e quem cuida de solar, cuida de solar.  E com o tamanho do ego dos brasileiros – e dos latinos em geral – fazer sugestões fora da própria caixinha institucional ou de especialização é ofensa pessoal.

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Água e energia: o fim do consumidor cativo como condição para o avanço do Brasil

O uso da expressão “monopólio natural” é frequente na economia para descrever uma situação na qual não se justifica a concorrência – até por razões econômicas – e, assim, há necessidade da presença do poder público na regulamentação.  Aos poucos, esse tipo de monopólio se espatifa, como já vem acontece há tempos com a telefonia e com as comunicações em geral.   A mesma tendência vem mostrando os seus contornos da área da eletricidade e logo se fará presente no campo da gestão de águas.  Em alguns lugares, as resistências inerciais são maiores do que em outros, ainda que os avanços tecnológicos sejam irreversíveis e a sua disseminação cada vez mais incontrolável.

Evidentemente, essa noção já avançou bastante – ainda que não o suficiente -p no setor elétrico, e tardará mais, ainda que deva ser um norte para o setor de água e esgoto.

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