Dubai – O Emirado Avança a Passos Largos na Área de Energias Renováveis

Em 2017, entrará em operação o primeiro módulo – com 200 MW – da maior central solar do mundo, o Parque Solar Bin Rashid Al Maktoum, cuja capacidade instalada deverá atingir 1.000 MW em 2020 e 5.000 MW em 2030, no Emirado de Dubai (diferente da cidade de Dubai).

Pode não parece muito quando comparada a capacidade instalada do Brasil, mas a população desse Emirado é de apenas 2,5 milhões de habitantes e seu consumo de energia per capita é cerca de 4 X superior ao do Brasil (o consumo per capita dos países pode ser visto nas tabelas dos Indicadores de Desenvolvimento Mundial, selecionando-se o país e o ano).

O Emirado de Dubai tem o ambicioso plano de de suprir 25% de sua demanda de eletricidade a partir de fontes limpas de energia até 2030, e 75% até 2050.  Para assegurar o cumprimento dessa meta, o governo do emirado anunciou há poucos dias (fevereiro de 2016) um plano de incentivos à micro-geração distribuída de energia fotovoltaica.

O Emirado de Dubai já foi um grande produtor de petróleo, mas o pico da produção se deu em 1991 e vem declinando desde então.  A exaustão dessas reservas deve ocorrer até meados da década de 2030.  Hoje, o Emirado já é um importador de combustíveis fósseis.

Com os recursos do petróleo, os Emirados Árabes Unidos vêm investindo, há tempos, em educação de alto nível, pesquisa e desenvolvimento sustentável – com ênfase no Instituto Masdar, onde há parcerias com o Massachusetts Institute of Technology e grandes empresas multinacionais.

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“A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, e a Idade do Petróleo terminará muito antes de que os combustíveis fósseis estejam exauridos” – a frase foi dita pelo sheik Ahmed Zaki Yamani, ministro do petróleo da Arábia Saudita de 1952 a 1983.  A ele é atribuído a estratégia que levou ao primeiro embargo do petróleo, com a explosão dos preços e o enriquecimento dos grandes produtores.

Ahmed Zaki Yamani graduou-se em Direito pela Universidade do Cairo em 1951, depois concluiu o mestrado na Universidade de Nova York em 1955 e, no ano seguinte, graduou-se novamente em Direito pela Universidade de Harvard.]

Ou seja, não era exatamente um “ambientalista”.  Mas ajudou muito a deixar claro para os ricos países árabes que era preciso investir no futuro.

Nada como ter capacidade de planejamento de longo prazo e investir na educação de alta qualidade.

 

 

 

Subsídios para Combustíveis Fósseis X Sistemas Híbridos Solar / Diesel – Uma Contribuição para o Equilíbrio Fiscal

O Brasil – leia-se, os contribuintes – subsidiam o transporte e o consumo de combustíveis para a geração de eletricidade nos sistemas isolados.  A previsão dos valores totais para tais subsídios no ano de 2015 é da ordem de R$ 6, 3 bilhões.  Tais subsídios são dados para o diesel e seu transporte para as aglomerações urbanas não conectadas à rede.

Enquanto isso, a Austrália dá o exemplo com a implantação de um sistema híbrido (solar fotovoltaico + diesel) de 1 MW para abastecimento de um sistema isolado em apenas uma semana Continuar lendo Subsídios para Combustíveis Fósseis X Sistemas Híbridos Solar / Diesel – Uma Contribuição para o Equilíbrio Fiscal

Desperdício do Potencial Hidrelétrico – Desleixo ou Submissão às Grandes Empreiteiras?

Parece inacreditável, mas o Brasil ainda desperdiça uma imensa quantidade de energia gerada por suas hidrelétricas.

O Operador Nacional do Sistema – ONS solicitou – quando poderia determinar – que usinas hidrelétricas desliguem as suas turbinas durante a madrugada ou quando a energia por eles gerada não estiver sendo utilizada.  A notícia, que pode ser lida aqui, passou desapercebida da grande imprensa.  Abaixo, são transcritos dois trechos de uma notícia:

“Em mais um sinal de agravamento nas condições de suprimento de energia, o Operador Nacional de Energia Elétrica (ONS) tem solicitado a alguns geradores que desliguem ou alterem o modo de operação de algumas turbinas de suas hidrelétricas durante a madrugada para economizar água dos reservatórios. A medida tem sido adotada em algumas usinas de Furnas, da Cemig e da AES Tietê, além da hidrelétrica de Itaipu.

“(…) essa situação mostra que o operador e o governo federal estão usando todos os recursos técnicos disponíveis para evitar ao máximo o racionamento de energia.  (…) No domingo, 13, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, o mais importante do País, operavam com 36,77% da capacidade.”

Pois nem o governo e nem o Operador do Sistema – e, de fato, ninguém – está usando de uma pequena fração dos recursos ténicos disponíveis para evitar um racionamento.  Se estivessem, já teriam avançado e muito com a repotencialização das hidrelétricas, começando pelas mais antigas.

A repontecialização consiste, basicamente – ainda que não apenas – na troca das unidades geradoras por outras mais modernas e muito mais eficientes.  Exatamente como trocar um motor de um veíiculo de 30 ou 50 anos atrás pelo motor de um veículo moderno. A troca aumenta a capacidade de geração das usinas hidrelétricas, pode ser feita em muito menos tempo do que a construção de uma nova hidrelétrica, além de se pagar num período bastante curto.

Mas essas iniciativas não interessam às empreiteiras que comandam o orçamento de obras públicas do setor elétrico.  Adotado esse caminho, os investimentos maiores são em novos equipamentos, em não na construção de barragens.

Em 2007, o assim chamado governo já sabia, havia muito, que a repotencialização é possível e os resultados de estudos de viabilidade ja se encontravam disponíveis.

“O custo do KW instalado com a repotencialização seria de US$ 500 a US$ 600, bem abaixo dos US$ 1.200 a US$ 15.000 necessários, hoje, para a construção de novas usinas.” – afirmava o professor de pós-graduação em energia da USP, Célio Berman. Segundo ele, o Brasil podia, então, conseguir adicionar 8.000 MW de capacidade de geração apenas com a repotencialização, isto é, sem a construção de novas hidrelétricas.  E mais, poderia reduzir pelo menos de 15% para 10% as perdas técnicas na transmissão e na distribuição de energia elétrica, disponibilizando, assim, 4.500 MW adicionais de eletricidade para o consumo.

Em 2010, analistas do setor apontavam para a responsabilidade da ANEEL – outra agência dedicada apenas às trivialidades das concessões e das revisões dos contratos – nos obstáculos à repotencialização das hidrelétricas brasileiras.

A ANEEL é um belo exemplo das muitas vitórias da burocracia mais medíocre sobre os interesses maiores da nação e, de uma certa forma, do próprio governo, que aceita o loteamento de cargos nas agências regulatórias. Sob a alegação da existência de um “vácuo jurídico”,  a ANEEL se espojava no assunto como se a resolução do problema comportasse mais do que uma única alternativa: o aumento no valor da concessão, que afinal é a única que cabe em seus poucos neurônios.

Pouco tempo depois um grande número de empresas geradoras tiveram as suas concessões simplesmentes estendidas, sem a parolagem do “vácuo jurídico”.

Quem tiver interesse ou paciência de colocar as palavras “repotencialização” e “hidrelétricas” no sistema de busca na internet encontrará um sem número de notícias e estudos.

Mas a inércia prevalece. À repotencialização pode-se e deve-se acrescentar a automação das hidrelétricas que permite a otimização, ganhos de eficiência e de segurança na operação do sistema.

Além disso, de lá para cá novas tecnologias de redução de perdas nas linhas de transmissão de longa distância já chegaram ao Brasil através de empresas chinesas que venceram as concorrências para a construção e a operação de um grande número dessas linhas – reduzindo em muito o tempo de retorno de seus investimentos.

Parcerias público-privadas (PPP) são caminhos excelentes para reduzir os investimentos diretos do governo ou mesmo das concessionárias das hidrelétricas mais antigas.  A atração dos fundos de pensão dessas concessionárias para tais parcerias facilita o processo porque o diálogo se dá com profissionais do ramo, além de garantir a segurança dos pensionistas (atuais e futuros) dessas empresas.

Acorda, Brasil.  É só sair da inércia… e da submissão aos interesses das grandes empreiteiras – no passado conhecidas como  “barrageiras” – que só querem mesmo e só sabem colocar concreto, emitir faturas por medição e negociar aditivos aos contratos originais, sem nunca se preocuparem em prestar um melhor serviço aos clientes.  Em países sérios, obras são conduzidas por empresas de engenharia, nunca por empreiteiras.  As empreiteiras brasileiras, hoje, subcontratam a engenharia, que consideram um apêndice ou componente acessório à gestão dos contratos.

 

Enchentes na Inglaterra e Proteção do Habitat Humano

Assistindo pela televisão às grandes enchentes ocorridas na Inglaterra nas últimas semanas, um casal de holandeses comentou: “não combatam as águas, convivam com elas!”

Não se trata de uma afirmação técnica, mas de um ponto de vista.  E sobre um assunto que os holandeses conhecem bastante.

Nos dias que se seguiram às ultimas enchentes, grupos formados pelos mais experientes engenheiros e acadêmicos ingleses se reuniram para debater alternativas para proteger a população e o patrimônio – público e privado – contra as enchentes.  Ou seja, o que está em questão é o habitat humano, e não alguma hipótese sobrenatural sobre Gaia ou a Mão-Natureza.

Entre as primeiras conclusões, a necessidade de redesenhar as casas, investir em defesas costeiras que sirvam também para gerar energia, e elevar as estradas – alternativas consideradas por esse grupo como muito mais eficientes do que meras dragagens ou plantio de árvores.

“Nós ainda estamos em modo de aprendizado pelo desastre“, afirmou Jim Hall, professor de riscos climáticos e ambientais no Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, durante uma coletiva de imprensa que ocorreu na Academia Real de Engenharia.   “Com exceção das ferrovias, a infraestrutura mais crítica do país sobreviveu às enchentes bastante bem, mas adaptar-se às mudanças climáticas ainda é um trabalho em andamento.”

Nessa ocasião, especialistas da Universidade de Cardiff afirmaram que a Inglaterra precisa examinar as alternativas adotadas em outros países na elaboração dos projetos de suas residências e edificações de maneira a reduzir os danos resultantes das enchentes cada vez maiores e mais frequentes.

“Neste país, falamos de fazer edificações sobre pilares (ou palafitas) e em copiar a Holanda, mas talvez seja mais adequado olhar para países com fortes tempestades tropicais, como a Malásia, ou para os EUA, que onde as casas têm um porão frequentemente no mesmo nível das garagens, enquanto a residência fica nos andares mais elevados” – afirmou o diretor de centro de pesquisa em hidrologia ambiental da Universidade de Cardiff.

De fato, casas de excelente qualidade sobre pilotis ou palafitas podem ser encontradas ser encontradas na Costa Rica, no lado do oceano Atlântico, em áreas onde dificilmente os furacões atingem diretamente mas o avanço da água do mar é comum quando ocorrem tornados.

“Uma solução que definitivamente não vai funcionar é plantar mais árvores (…) – acrescentou o professor Falconer.  “Onde estão as evidências de que árvores diminuem o risco de enchentes?  Ao contrário, há evidências de que árvores vão elevar o nível das águas subterrâneas.  Plantar 10 milhões de árvores na bacia de drenagem é uma proposta lunática… nós devemos deixar a natureza como ela é.”

Como se pode ver, não há soluções genéricas aplicáveis a todas as situações, exceto para os crentes nos poderes curativos da Mama-Pacha.

“Da mesma forma, em áreas planas a mera dragagem de rios e canais pode ter um impacto desprezível na proteção contra enchentes.  “Dependendo do rio, a dragagem pode reduzir os riscos de enchentes e fazer com que as terras agrícolas sejam mais produtivas.  Aumentar a seção dos rios e canais pode auxiliar o escoamento da água, mas também pode significar que em certas condições a entrada da água na maré alta se dará mais rapidamente!” – afirmou Jim Hall, de Oxford.

A elevação do nível das estradas de maneira a torná-las compatíveis com os níveis máximos de inundação em ciclos de 100 anos também foi citada como um excelente caminho para os investimentos a serem feitos para preparar a Inglaterra para os extremos climáticos.  Ao menos as comunidades terão meios de se comunicar umas com as outras! – afirmaram os especialistas.

Finalmente, a construção de defesas costeiras em sintonia com a geração de energia pela força das marés foi citada como um exemplo de potencial de sintonia entre investimentos públicos e privados. As propostas de construção de defesas costeiras que sirvam para conter as inundações provocadas pela elevação do nível dos oceanos e simultaneamente gerar energia a partir do movimento das marés têm provocado excitação e debates na Inglaterra.  Algumas reportagens da BBC incluem sobre o assunto, com imagens, podem ser vistas aqui ou aqui.

Coisa de país sério na gestão de seus recursos ambientais e humanos.  E note-se que a Inglaterra está sendo multada pela União Européia por não alcançar metas de redução de poluentes atmosféricos justamente em Londres.

Nota РEste artigo foi escrito com base em informa̵̤es do The Guardian.

Energias Renováveis – Iniciativas Exemplares de Pequenas Cidades Italianas

Pequenas comunidades que geram mais energia renovável do que consomem?

Ao final de 2.010, isso já acontecia em mais de 800 vilarejos rurais na Itália, com turbinas eólicas entre olivais e outros plantios, segundo um recente relatório intitulado Comunidades Renováveis – 2013 já são 27 as pequenas comunidades 100% abastecidas por energias renováveis (cf. página 34, onde a sigla FT refere-se à metragem quadrada de energia solar-térmica e FV à geração fotovoltaica).

Na lista dessas pequenas comunidades, não se encontra o vilarejo de Tocco da Casauria, na região de Abruzzo.  Com os seus 2.700 habitantes, produz 30% mais energia do que consome.  As tarifas não puderam ser reduzidas devido à legislação em vigor, mas a comunidade usou a receita adicional para suprimir despesas dos cidadãos em outras áreas, como na coleta de lixo, na alimentação fornecida às crianças nas escolas, e mesmo em tarifas reduzidas no centro local de atividades de saúde.  As refeições fornecidas pelas escolas locais aos seus alunos custam menos de 1 Euro por dia!  Administrações municipais inteligentes driblam a regulamentação das concessões dos serviços de eletricidade e tomam iniciativas que beneficiam os seus cidadãos.

De fato, já são mais de 800 as comunidades italianas que geram mais energia do que consomem, segundo uma reportagem do New York Times (que não cita a fonte dessa informação).

Nada de “desapropriar” áreas para a produção de energia eólica.  As áreas necessárias à implantação das torres são alugadas ou os proprietários têm uma participação na produção, e podem continuar com os seus plantios e pastos ao redor delas.  Por que o governo se meteria num assunto de interesse exclusivo das partes.

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Diversas iniciativas estão sendo tomadas para introduzir a energia eólica em áreas urbanas ou para o abastecimento individual de edificações, colocadas sobre os telhados, como se pode ver na página de um dos fabricantes cujos produtos já estão no mercado.

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Para quem se interessa por políticas públicas na área de energias renováveis, recomenda-se um Estudo de Mercado Sobre Tecnologias Verdes na Coréia (em inglês, encomendado pela Câmara Anglo-Coreana de Comércio) no qual se evidenciam os amplos investimentos governamentais no desenvolvimento de tecnologias em energias renováveis, e/ou um artigo mais curto intitulado A Coréia do Sul e sua ambição na área de energias renováveis.