A California Divulga Plano Estadual (Revisado) de Proteção Contra as Mudanças Climáticas

Países sérios vêm elaborando, há bastante tempo, os seus planos de adaptação às mudanças climáticas voltados para a proteção de suas populações, bem como de seu patrimônio e dos recursos mais vulneráveis: agricultura, energia, abastecimento de água, saúde pública, barragens de proteção contra enchentes,  gestão de situações de emergências, etc.  Não ficam gastando tempo e muito dinheiro plantando “arvrinhas” para “compensar” as emissões de carbono de eventos isolados ou mesmo das emissões causadoras dessas emissões!  E, quando o governo da União não o faz, como é o caso dos EUA, os estados assumem a liderança, e fazem.  Num país de dimensões continentais, esse é certamente um caminho melhor do que ficar esperando por decisões federais, como ocorre no Brasil.

De fato, esses países – assim como suas corporações – já estão abandonando as questões tradicionais de meio ambiente, antes mais relevantes, porque os seus rios, lagos e lagoas já estão limpos – ou quase totalmente limpos, segundo os critérios deles, muito mais exigentes.  E seus parques já estão implantados (nunca foram meros “parques de papel”, como aqui).  Com o advento e a maneira com que se agravaram os problemas relacionados às mudanças climáticas, adotaram – tanto os países quanto as corporações – o conceito de “resiliência”, palavra utilizada pela Física para a capacidade dos materiais de resistirem a mudanças abruptas de pressão, temperatura e outras.  As diretorias de “sustentabilidade” das grandes corporações estão sendo simplesmente extintas.

As mudanças climáticas são consideradas irreversíveis em todos os países sérios, sobretudo em virtude do aumento constante das emissões dos gases que as causam e do consumo de combustíveis fósseis, com ou sem redução do desmatamento na Amazônia (o tema preferido da mesmice ambientalista e dos setores econômicos norte-americanos que se opõem à redução das emissões por suas termelétricas e por seu agro-negócio).

Protegendo a Califórnia: Reduzindo os Riscos Climáticos, com 289 páginas, uma atualização de um documento anterior, divulgado em 2009 com o título “A Estratégia da Califórnia para a Adaptação às Mudanças Climáticas”.  Foi disponibilizado recentemente para consulta pública e comentários, antes da redação da versão final. Uma consulta ao índice desse trabalho mostra a ordem de prioridades: (a) agricultura, (b) biodiversidade e habitats, (c) gestão de situações de emergência, (d) energia, (e) florestas, (f) oceanos e recursos/ecossistemas costeiros, (g) saúde pública, (h) transporte, e (i) água.

No Apêndice C, encontram-se mais de 600 referências às fontes consultadas, demonstrando a seriedade do trabalho, que envolveu agências variadas do governo, além de universidades, instituições de pesquisa, comunidades locais e outras.

A versão revisada do plano relata, entre outras coisas: (a) um modelo que permite aos cidadãos e instituições a visualização dos impactos climáticos sobre as diversas localidades, para uso dos governos locais (municipais) e administrações regionais, (b) a criação de um Consórcio de Mudanças Climáticas para as Colheitas de Perecíveis (frutas, verduras e legumes, por contraposição aos grãos que se incluem na categoria de “commodities” e podem ser estocados por longos períodos), (c) padrões de eficiência energética que já resultaram na economia de US$ 74 bilhões de dólares resultantes de economias nas contas de energia (desde 1975) e no aumento da segurança energética, (d) a preparação da Califórnia para ondas de calor. “Reduzir os riscos climáticos protege o povo, a economia e os recursos naturais da Califórnia.”

O documento foi disponibilizado poucos dias antes do governador da Califórnia, Jerry Brown, declarar um tipo de estado de emergência, como noticiou, entre outros meios de imprensa norte-americana, o New York Times: “o Estado está sofrendo de uma das mais graves secas já registradas”.  Em pleno inverno, algo que usualmente só acontece no pico do verão!  Produtores de gado tiveram que vender parte de seus rebanhos por falta d’água e, em áreas nas quais usualmente a pastagem é abundante, passaram a ter que comprar feno.  Se a disponibilidade de água não aumentar, cerca de 100.000 hectares de terras que usualmente produzem perecíveis não serão sequer semeadas.

Estudos recentes mostraram que a elevação do nível do oceano na costa da California, com a intrusão da língua salina no delta do rio São Francisco, resultará na necessidade de altos investimentos no reposicionamento dos sistemas de captação de água para o abastecimento da cidade.

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Já é tempo do Brasil – União e Estados – trabalharem no planejamento integrado para minimizar as consequências das inevitáveis mudanças climáticas, com especial atenção para a segurança alimentar e energética (que não inclui apenas a produção de mais energia), bem como no abastecimento de água.  Aqui, isso é bem mais difícil dada a prevalência das políticas de curto prazo, com cunho eleitoral, e do loteamento de cargos que se convencionou de “formação da base aliada”, levando cada ministro ou secretário a cuidar apenas de seu “feudo”.

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Lá, eles também propõem o plantio de árvores em áreas urbanas para amenizar os episódios de ondas de calor.  Mas não anunciam o plantio de 10 milhões de mudas de essências nativas com dinheiro de “compensações ambientais”, e depois ninguém fica sequer sabendo se e onde foram plantadas, como no Rio de Janeiro.

 

 

Flash floodings – Enchentes Rápidas – Fenômenos que se Acentuam

Flash floodings – ou inundações instantâneas, súbitas – é a expressão utilizada em inglês para fenômenos que no passado aconteciam de maneira mais espaçada do que agora.  Países sérios já estão tomando providências – ouvindo os especialistas, elaborando os projetos e fazendo os investimentos – para evitar os imensos prejuízos que decorrerem e decorrerão da maior frequência dessas inundações.  Esses investimentos se estendem a quebra-mares para conter o aumento da força das ondas nas áreas costeiras como decorrência das mudanças climáticas, elevação já constatada até mesmo por especialistas brasileiros, mas que aqui não se transformam em políticas públicas.

A Agência de Meio Ambiente da Inglaterra – que faz um trabalho sério nesse campo – acaba de publicar novos mapas sobre as áreas vulneráveis a essas inundações.  Esses mapas permitiram estimar que 3 milhões de propriedades estão sujeitas aos riscos de inundações instantâneas na Inglaterra, incluindo a tradicional residência do primeiro-ministro do país, conhecida por seu endereço – 10, Downing Street.  Se consideradas as propriedades sob risco de inundações causadas pelo transbordamento de rios, o número sobe para 5 milhões de propriedades.  Uma em cada 6 residências da Inglaterra.

Mas lá, como o governo não é um loteamento de cargos entre partidos, há sinergia entre os diversos órgãos e o trabalho foi feito com base nas informações do Serviço de Previsão do Tempo – um dos melhores do mundo -, conhecido como Met Office (Met de Meteorologia), e assim a Agência Ambiental não fez promessas de compra de radares de previsão de chuvas que não saberá instalar ou operar.

Os mapas de áreas sujeitas a inundações da Agência de Meio Ambiente da Inglaterra estão disponíveis online permitindo às pessoas verem se as suas residências estão em locais vulneráveis a flash floodings.  Mas não se limitam a isso!  As autoridades inglesas de proteção ambiental fazem a diferenciação entre riscos de enchentes em rios, reservatórios e nas zonas costeiras.  Podem ser encontradas, também, instruções gerais de como preparar as residências para tais enchentes, informações sobre a potencial ocorrências locais com base no código postal, e até a alternativa dos cidadãos para receberem informações por email sobre o risco em tempo real por correio eletrônico.

A professora Julia Slingo, Cientista-Chefe do Met Office (Serviço de Meteorologia), declarou: “A tendência para chuvas extremas é uma das que estamos observando em diversas partes do mundo (…).  É essencial que possamos ver como isso vai impactar a nossa pluviometria na próxima década e após, de maneira que possamos aconselhar sobre a frequência de eventos climáticos extremos no futuro e o potencial para mais enchentes (…).  Isso ajudará àqueles que tomam decisões sobre a necessidade de futura resiliência (capacidade de adaptação) tanto na Inglaterra quanto globalmente.  Mudanças nas temperaturas superficiais das águas oceânicas devidas a ciclos naturais e à redução das calotas de gelo no mar do Ártico podem estar influenciando o aumento das chuvas, ainda que sejam necessárias mais pesquisas para avaliar esses impactos.  O aquecimento global pode ser outro fator.  Uma atmosfera mais quente pode reter mais umidade, e nós constatamos um aumento de 0,7 graus centígrados nas temperaturas glogais desde a época pré-industrial.  Com a Física básica, é possível estimar um aumento de 4% na umidade do ar, o que signfica um maior potencial de chuvas fortes.”

Já o ministro do meio ambiente da Inglaterra, Dan Rogerson, declarou: “Nós entendemos os danos e o stress que as inundações podem causar.  Por essa razão, os investimentos na proteção de comunidades contra enchentes e da erosão costeira”.

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No Brasil, os Sumários Executivos dos relatórios do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas já estão disponíveis para download (com apresentação bonitinha e péssima para quem quer lê-los numa versão impressa), mas continuam falando nos riscos “até 2100” (linguagem diplomática utilizado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU) e em “biomas”.  A  linguagem da moda, em lugar de fatos e de propostas concretas.   As generalidades parecem ser uma caracterítica atraente para a diplomacia e para as autoridades brasileiras.

“(…) as áreas costeiras baixas são vulneráveis ao aumento do nível do mar (…).  A carência de informações relacionadas aos efeitos das mudanças climática s sobre os ecossistemas costeiros (ufa!) no Brasil impedem quantificar os impactos futuros.  É necessário conhecer e mapear as vulnerabilidades em toda a extensão da costa brasileira.  Foram identificados alguns estudos locais que tratam basicamente dos efeitos de uma possível (?) elevação do nível médio do mar em tais sistemas (o grifo é nosso; nada de seres humanos, só “sistemas” e “ecossistemas”)”.  E, mais adiante, “outros impactos identificados nos estudos: (a) erosão e degradação costeias; (b) danos a obras de proteção costeira; (c) prejuízos estruturais a portos e terminais; (d) danos a obras de urbanização das ciddes litorâneas; (e) danos estruturais ou prejuízos operacionais a obras de saneamento; (f) exposição de dutos enterrados ou danos estruturais a dutos expostos; (g) intrusão salina em estuários; (h) intrusão salina em aquíferos; (i) evolução dos manguezais (?); (j) danos a recifes de coral .”  Tudo isso num só pacote de generalidades!

Enquanto os países sérios investem em obras de engenharia que adotam o estado da arte na proteção costeira, em novos conceitos de drenagem, em tecnologias para a proteção das residências, o Brasil se masturba com “áreas de preservação permanente” do mundo da fantasia ambientalóide, perdes-se na cacofonia das “áreas de risco” sem análises da viabilidade de obras de contenção com boa geotecnia, e não consegue sequer dar boa redação – e, ainda menos – aplicar leis municipais que obrigam empreendimentos com grandes áreas impermeabilizadas a fazerem sistemas de contenção com capacidade para reter uma parcela das chuvas.  Nada de verdade, tudo de papel.

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Uma curiosidade: nem com os modernos recursos de imagens de satélite o Brasil tem uma planta topográfica de suas áreas costeiras que permita definir com clareza quais as mais vulneráveis?  Segundo relatos pessoais, Carlos Nobre, oriundo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, não gostou muito quando em recente debate foi questionado sobre a necessidade de rever o programa nuclear brasileiro à luz da elevação do nível do mar já constatada em algumas regiões.  Esse programa prevê a construção de novas usinas no litoral.  Uma confirmação de que a turma prefere não tratar de assuntos práticos, de interesse da população, e não apenas de “biomas” e “ecossistemas”?

Uma questão final: o Centro de Hidrografia da Marinha foi consultado?  Ele é ótimo na medição das temperaturas dos mares, além dos serviços de meteorologia.  E a e elevação da temperatura das águas superficiais dos mares é excelente indicador das possibilidades de chuvas intensas.   Ou suas informações não são usadas pelo INPE simplesmente por se tratar de um órgão ligado às Forças Armadas?

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Images de flash-floodings na Inglaterra podem ser vistas no YouTube.

Segurança Alimentar – Brasil X Países Sérios e Realidades Preocupantes

Normalmente, a Inglaterra exporta 2,5 milhões de toneladas de trigo.  Este ano, terá que importar uma quantidade equivalente do cereal.  Segundo uma analista senior do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e da Horticultura citada em reportagem do The Guardian, “o mais chuvoso outono desde o início dos registros climáticos no país seguido da primavera mais fria foram a causa da devastação da colheita de trigo”.  No título da reportagem do The Guardian, “os fazendeiros falharam em alimentar a Inglaterra depois que o clima extremo atingiu o colheita de trigo”.

“À reduzida colheita de trigo se adicona a preocupação crescente com a a produtividade por hectare que os fazendeiros britânicos podem alcançar.  (…)  Outras culturas foram duramente atingidas pela severidade do clima.  (…) O açúcar de beterraba, que é cultivada em 125 mil hectares principalmente no leste da Inglaterra, foi atingido por um estranho fenômeno que paralisou a germinação de sementes e reduziu a produção em 50%”.

De acordo com o órgão ambiental da Inglaterra denominado Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (Departamento = Ministério, um órgão sério para assuntos internos mas que se dispersa bastante com preocupações sobre a Amazônia e a caça de elefantes na África, no velho estilo colonialista), afirma que “apenas agora é possível perceber o pleno impacto do forte inverno, com uma queda na renda da cultivo agrícola apresentando um decréscimo de US$ 1, 15 bilhão”, ou mais de R$ 2,3 bilhões.

No mesmo período em que a Inglaterra divulgava informações sobre os impactos do clima sobre a produção interna de alimentos, um relatório conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OECD e da FAO, divulgado inicialmente numa conferência em Pequim, prevê uma redução significativa na taxa de crescimento da produção de alimentos, que deverá passar de 2,3% ao ano como ocorreu no período 2003-2012, para 1,5 ao ano, no período 2013-2022.

“Enquanto os estoques de alimento nos maiores países produtores e consumidores continuarem baixos, amplifica-se o risco da volatilidade de preços.  Uma nova seca das proporções da que ocorreu em 2012, aliada aos baixos estoques, poderá elevar os preços dos alimentos entre 15% e 40%” – afirma o relatório.

A FAO costuma adotar linguagem diplomática e limitada às projeções de produção e consumo de alimentos, deixando os fatores causadores de uma potencial e provável escassez para outros organismos e pesquisadores.

Assim, vale notar que pouco antes – em abril de 2013 – a Convenção da ONU para o Combate à Desertificação divulgou o relatório de sua Segunda Conferência Científica sobre o tema, sob o título de Avaliação Econômica da Desertificação, Gestão Sustentável de Terras e Resiliência das Regiões Áridas, Semiáridas, e Sub-úmidas Secas, no qual indica que 168 países defrontam-se com severos problemas de degradação dos solos.  A última avaliação desse tipo, divulgada em meados dos anos 1990, reportava esse tipo de problema em 110 países.  Um aumento significativo.

Segundo o estudo, os custos anuais da degradação de terras e desertificação já são da ordem de US$ 490 bilhões por ano e as áreas atingidas crescem a uma taxa de 120 mil km2 anuais, ou o equivalente a duas Suíças.  As principais causas desse fenômeno são a seca, as mudanças climáticas, a agricultura intensiva e às más práticas de irrigação.

O Brasil encontra-se entre os líderes mundiais em conservação dos solos por iniciativa e pelo trabalho persistente de disseminação dos próprios produtores rurais que, no passado, adotaram e difundiram o conceito de “plantio direto”, mantendo a cobertura do solo com a palha o que evita a erosão e assegura a recarga dos aquíferos subterrâneos e a vazão dos rios (a agricultura brasileira alcançou essa posição sem apoio do governo federal).

Enquanto os paises sérios e organizações internacionais se preocupam com a segurança alimentar, o Brasil se dilacera na demonização dos produtores rurais e na falta de soluções para as já imensas áreas de reservas indígenas, que correspondem a cerca de 12% do território para menos de 1% da população (sendo que uma parcela considerável vive em cidades).  São terras improdutivas nos termos da caótica “política indigenista” brasileira que as quer intocadas, sem dar aos indígenas autonomia para usá-las como quiserem.  Hoje, no Brasil, já são mais de 110 ha por (auto-denominados) índios.

Isso para não falar na insistência marqueteira em criar novos parques nacionais e outras unidades de conservação – que já chegam a 35% da Amazônia – nos quais não há infraestrutura para visitação (ou ela é limitada a uma fração irrisória da área) ou de pesquisa, para não falar de um mínimo de capacidade de planejamento e gestão.

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Para os que se interessam pelo tema – e, em especial, para os mais céticos – sugere-se o excelente documentário de Ken Burns sobre a mais duradoura seca já ocorrida na maior região produtora de grãos dos EUA, que se iniciou em 1935 e durou quase uma década.

Um resumo em português do fenômeno que ficou conhecido como Dust Bowl pode ser encontrado na Wikipedia.

 

Secas Cíclicas – Instrumentos de Acompanhamento do Teor de Umidade nos Solos e de Reservas Subterrâneas de Água

Um instrumento de avaliação de secas persistentes está sendo desenvolvido pela NASA e já mostra os seus primeiros resultados.  Imagens de satélite acopladas à modelos de análise física permitem avaliar as condições de umidade na parte mais superficial dos solos – 2 centímetros -, na profundidade das raízes das plantas – até 1 metro de profundidade – e os volumes de águas subterrâneas utilizadas para abastecimento público e irrigação.  Essas imagens e cálculos permitiram comparar as condições encontradas na seca de 2012 – que reduziu de forma significativa a produção agrícola do país – com as informações disponíveis desde 1948.

As imagens permitiram afirmar que o  teor de umidade e nos solos e de águas no subsolo permanecem bastante reduzidas.  A seca recente foi e continua sendo maior do que a média esperada para cada ciclo de 50 anos, em diversas regiões do país.  A primeira dessas imagens mostra o teor de umidade superficial nos solos, o segundo na profundidade das raízes das plantas, e o terceiro nos aquíferos subterrâneos.

Uma animação mostrando a situação dos aquíferos subterrâneos no período 2002-2012 também foi disponibilizada pelo Centro Nacional de Mitigação de Secas dos EUA, que trabalha em coordenação com o Departamento de Agricultura para disponibilizar informações emergenciais para os produtores rurais.

A seca que afetou a produção agrícola norte-americana em 2012 – o ano mais quente desde que se iniciaram os registros de temperatura no país, em 1895 – resultará, segundo previsões do governo norte-americano, num aumento de 4 a 5% no índice de preços aos consumidores.  Os impactos já se fazem sentir na produção de carne bovina, frangos e suínos.  A seca afetou, também, a infraestrutura de navegação fluvial no rio Mississippi, de rodovias no estado do Texas, de sistemas de refrigeração no Illinois, e em outras áreas.  Os prejuízos estimados para a produção agrícola foram de ordem de US$ 1 trilhão.  Só os executivos da trading Glencore comemoraram a expectativa lucros.

Certamente, um exemplo a ser seguido pelas autoridades brasileiras encarregadas da agricultura, e da pesquisa científica na previsão do tempo e do clima, da segurança alimentar e do conjunto da economia.

 

 

 

 

 

Degelo no Artico – Novas Evidências da Aceleração das Mudanças Climáticas

A Agência Espacial Européia acaba de divulgar novas informações sobre o degelo no Ártico, que é muito muito maior do que se pensava a partir das imagens anteriores de satélite.   O satélite norte-americano ICESat havia medido basicamente a amplitude do degelo em termos de superfície, área, enquanto o novo satélite europeu Cryosat-2 foi o primeiro que mediu a espessura do gelo, e com margem de erro de apenas 10 cm (dados consistentes com medições de baixa altitude e oriundos de embarcações, inclusive submarinos).  Há uma década, a espessura do gelo nas regiões ao norte do Canadá e da Groenlândia situava-se com regularidade entre 5 e 6 metros durante o verão; agora, esse espessura situa-se entre um e três metros no mesmo período do ano.

Combinando dados de várias fontes anteriores e atuais, os cientistas da Agência Espacial Europeia mostraram que no inverno de 2004 o volume total de gelo na área mais central da região Ártica era de 17.000 km3; em 2012 esse volume havia caído para 14.000 km3.  Nada tão assustador se essa queda não tivesse sido muito maior durante o verão, quando o volume de gelo no mesmo período caiu praticamente à metade.

Numa declaração ao jornal inglês The Guardian, Seymour Laxon, do Centro de Observação e de Modelagem do Polo da Universidade College London afirmou que “muito em breve nós vamos assistir ao momento simbólico em que olhamos para imagens de satélite e, num dia de verão, vemos que não há mais cobertura de gelo no Ártico, apenas água“.  Laxon tentou se corrigir afirmando que ainda é cedo para uma afirmação mais contundente, que essa tendência ainda poderia ser revertida, mas outros especialistas em modelagem afirmaram que os indicadores apontam no sentido contrário, isto é, as taxas de degelo – incluindo a perda de volume – só tendem a aumentar nos próximos dez anos.

Temores adicionais estão ligados à reflexão da luz para o espaço e à liberação de imensas reservas de metano que se encontram contidas pelo gelo.  Mas esses são outros assuntos e bem além dos fatos.  Os fatos – no caso, os números – são inquestionáveis e imunes ao otimismo e ao pessimismo.  Nenhum cientista cearense ou outro poderá contradizê-los.