Afeganistão – A Guerra por Recursos Naturais

As guerras de invasão têm diversas razões, entre as quais a conquista de recursos naturais.  O que os EUA e a Inglaterra fizeram no Iraque não foi muito diferente daquilo que, no passado, os espanhóis fizeram com os maias e com incas em busca de ouro.  No Iraque, foi o “ouro negro”, o petróleo.  No Afeganistão, reservas estratégicas de minério.  Tudo sob o manto das “forças de coalizão””

Recentemente, o New York Times publicou reportagem que permite desvendar as razões da invasão e da ocupação do Afeganistão: reservas minerais.  Com a diferença de que o jornal – como de hábito – colocou “panos quentes” nessa invasão e fingiu acreditar que as imensas reservas minerais do Afeganistão só foram descobertas “por acaso”, mesmo quando seja notório que a identificação preliminar de jazidas desses recursos naturais pode, há muito, ser feita por satélites.

“Os antes desconhecidos depósitos de ferro, cobre, cobalto, ouro e metais críticos para a indústria, como o lítio, são tão grandes que o Afeganistão poderá, no futuro, transformar-se num dos mais importantes centros de mineração do planeta, acreditam representantes do governo dos Estados Unidos. (…) As imensas riquezas minerais do Afeganistão foram descoberta por uma pequena equipe de funcionários do Pentágono e geólogos norte-americanos.  O governo do presidente Hamid Karzai foi recentemente informado sobre isso.”  Quanta gentileza!

Entre as descobertas encontra-se, também, nióbio, um metal essencial para a produção de super-condutores, além de outros minerais raros.  Já as reservas de lítio são equivalentes ou maiores do que as da Bolívia, até recentemente as maiores conhecidas no mundo.

“Um memorando interno do Pentágono, por exemplo, afirma que o Afeganistão pode se transformar na Arábia Saudita do lítio, uma matéria prima essencial para as modernas baterias. (…) Há aqui um potencial atordoante, declarou o general David Petraeus, chefe do Comando Central dos Estados Unidos.”  Petraeus foi, antes, comandante das forças de ocupação da “coalizão” no Iraque.

A fraseologia usada pelo New York Times na reportagem é bastante divertida: “a ampla escala das riquezas minerais foi descoberta por uma pequena equipe”, vale repetir.  E essa “pequena equipe” incluiu, por acaso, oficiais do Pentágono.

A preocupação agora é como evitar que o anúncio de novas descobertas leve os nacionalistas talibans a lutarem com mais vigor para retomar o controle do país – e essa é uma preocupação do governo dos EUA.

Da mesma forma, é uma preocupação dos norte-americanos o fato de, no ano passado, uma empresa chinesa ter obtido a concessão de exploração de uma mina de cobre; em conseqüência, o ministro de Minas foi exonerado depois de acusado de corrupção.

O Afeganistão tem uma Lei Nacional de Mineração escrita “com o apoio de especialistas do Banco Mundial”.  A informação é fornecida como um fato trivial: sincronia total entre os interesses dos invasores e a “assistência” do Banco Mundial.

“Ainda não se sabe se a lei será suficiente para sobreviver à luta entre o governo central e os líderes “tribais” (leia-se, regionais), afirmou Paul Brinkley, da Vice-Ministro de Negócios (Business) do Ministério da Defesa dos EUA e líder da equipe do Pentágono que “descobriu” as reservas minerais”.

Que o Ministério da Defesa dos EUA tenha um Vice-Ministério de Negócios já é divertido; que o cidadão que exerce o cargo tenha liderado a “pequena equipe” do Pentágono que fez as descobertas das imensas riquezas minerais do Afeganistão, deveria ser suficiente para uma boa sessão de gargalhadas em todas as vezes que algum líder político falar nos objetivos pacificadores das “tropas de coalizão”.

“Uma força-tarefa do Pentágono já está tentando ajudar o governo afegão a estabelecer um novo sistema legal para a área de mineração”.  (…) As informações técnicas já estão sendo sistematizadas para serem fornecidas às multinacionais da mineração e a outros investidores potenciais. O Pentágono também está ajudando (sic) o governo do Afeganistão a estruturar as concorrências para as concessões dos direitos de exploração das minas.” – – informa a reportagem do New York Times, com a maior naturalidade.

Os soviéticos já sabiam dessas minas e fizeram um mapeamento durante o período em que as suas tropas ocuparam o Afeganistão, nos anos 80.  Esses mapas foram encontrados em 2004, “por acaso”, por geólogos norte-americanos enviados ao país como parte de um “esforço de reconstrução” do Afeganistão.

Em 2009, a força tarefa de desenvolvimento de negócios (business development) do Pentágono que se encontrava no Iraque foi transferida para o Afeganistão, e logo a seguir equipes de especialistas norte-americanos em mineração foram enviados para “validar as informações”.

O Greenpeace ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Rio de Janeiro – Choque de Ordem e Gambiarra Total

Em pouco mais de 50 metros de caminhada por um dos locais considerados “nobres” no Rio de Janeiro, a Avenida das Américas, é possível ver a grande gambiarra em que se transformou a cidade, com incômodos e riscos para os transeuntes.  Nas duas fotos abaixo, um cabo de telefonia pende dos postes e se arrasta pelo chão há pelo menos uma semana sem que as autoridades que cuidam do “choque de ordem” percebam.

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A gambiarra total em que se transformou o cabeamento aéreo da cidade também pode ser vista numa imagem de um transformador que já vazou o seu óleo e nos equipamentos de controle de semáforos e radares instalados ao léu enquanto as autoridades fingem que não vêem… ou não vêem mesmo poque esse tipo de feiúra ainda não dá mídia.

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Também a Light resolveu se “modernizar” enfeiando a cidade, com o beneplácito do poder público.

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Parte da esculhambação pode ser atribuída à RioLuz, a Companhia Municipal de Energia e Iluminação da Prefeitura, que sem dó e nem piedade contribui para enfeiar o Rio de Janeiro, fazendo gatilhos a torto e a direito.

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Alguém consegue imaginar algo assim numa cidade qualquer de um país sério?  Esses são problemas de fácil solução – fácil até demais – com investimentos mínimos.  Mas não para a esculhambação que se tornou a administração do Rio de Janeiro – e não apenas a atual -, que abunda em belezas naturais e se transformou numa cidade engatilhada – em ambos os sentidos – com o beneplácito do poder público.

***

Ah… todo o cabeamento de eletricidade do canteiro central da Avenida das Américas é subterrâneo.  O cabeamento aéreo da orla sofre do mesmo mal: subterrâneo no canteiro central e essa bagunça horrorosa ao longo das calçadas do lado oposto às praias.  Quanta ironia!

Idéias, Conceitos, Projetos – Boas Notícias para o “Carioca de Algema”?

Nesta penúltima semana do ano da graça de 2007, a cidade do Rio de Janeiro leu na imprensa local duas belas notícias!

A primeira, uma decisão do prefeito de retirar da orla de Copacabana os postos de gasolina localizados em áreas públicas, no canteiro central. Segundo a imprensa, o prefeito alega razões “ambientais”. É se supor que “ambientais”, aí, seja utilizado no sentido estético, o que não torna a decisão menos importante.

Mas é curioso que a decisão não tenha se estendido a toda a orla marítima, e também aos canteiros centrais de outras avenidas de trâfego intenso, já que é evidente que esses postos de gasolina contribuem para tornar o fluxo de trânsito mais lento. Aliás, também seria interessante ter o mesmo cuidado com o aterro do Flamengo. Isso para não falar no canteiro central em frente à “vila do Pan” e aos muitos na avenida das Américas.

É interessante notar que a quase totalidade desses postos de gasolina levam a bandeira Petrobras/BR, e mesmo sem a decisão do prefeito seria muito bom ver a empresa ter um olhar de responsabilidade social e ambiental para paisagem e o trâfego de veículos, e iniciasse o processo de remoção desses postos por iniciativa própria. Assim, não restariam sombras sobre a natureza dos acordos feitos para a cessão dessas áreas públicas privilegiadas para os seus postos e todas os distribuidoras de combustíveis auto-motores poderiam concorrer em igualdade de condições. E a BR Distribuidora evitaria o risco de receber o “Prêmio Nacional de Irresponsabilidade Social e Ambiental” que poderá vir a ser concebido pelo Macaco Simão.

Desde já, a população e a imprensa podem começar a contar o prazo de 6 meses que teria dado para a retirada, descartadas decisões judiciais nas quais o grande público nunca sabe se os advogados da prefeitura efetivamente trabalharam para fazer o que o prefeito anunciou ou se foi tudo jogo de cena.

A outra notícia refere-se à decisão do governador de urbanizar a Rocinha – uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. A Rocinha já é, hoje, de fato, um bairro, com os mais variados tipos de serviços – bancos, universidadades, e outros. Urbanizá-la não é tão dificil, se houver um projeto, isto é, uma definição do percurso de novas ruas e ampliação das já existentes, soluções aceitáveis para a relocação de moradores para pequenos prédios a serem construídos no mesmo local ou nas proximidades, sistema de drenagem de águas pluviais e coleta de esgotos, definição de locais para a instalação de serviços públicos essenciais como escolas e delegacias de polícia, etc.

Mas, é possível começar com algo muito, muito simples: o levantamento topográfico que permite definir o caminhamento das ruas e as áreas a serem desapropriadas, bem como aquelas destinadas à relocação de moradores. É bom lembrar esse requisito pois no início da década de 90 um secretário de estado andou por aí todo “pimpão” com uns rolos de papel debaixo do braço dizendo que tinha o “projeto” de urbanização da Rocinha. Dizem que foi até mesmo ao Banco Mundial para conversar sobre as possibilidades de um empréstimo, quando lhe explicaram, polidamente, que aquilo não era um projeto, mas apenas alguns traçados com canetas de cores sobre uma foto aérea da Rocinha indicando ruas hipotéricas. Ou seja, no máximo um conceito ou hipótese de trabalho. Daquilo até um projeto, com custos, metas e uma análise de viabilidade econômica-social, ia e vai uma imensa distância.

Nessa época, os sistemas de posicionamento geográfico – GPS ainda não eram de domínio público, mas de uso reservado das forças armadas norte-americanas. Hoje, com meia dúzia de equipamentos que custam R$ 500,00, é possível ter pelo menos o levantamenteo topográfico com curvas de nível de 5 em 5 metros, mais do que o suficiente para dar início à elaboração de um projeto de verdade.

A cidade se anima com as boas notícias, e torce para que não caiam no esquecimento, bem como para que não se limitem a projetos “demonstrativos”, em áreas muito restritas, visíveis apenas para os visitantes, como já ocorreu em outras áreas faveladas. A urbanização da Rocinha pode e deve ser feita “pra valer”.

Recomenda à grande imprensa um acompanhamento regular dos passos dados para que as idéias se transformem em projetos e os projetos em realidades.

***

A outra boa notícia seria a retomada do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, que quase 15 anos depois de ter sido iniciado e já completando R$ 2 bilhões em “investimentos”, resultou em várias grandes estações de tratamento de esgotos abandonadas. Nessa boa notícia ninguém acredita se a CEDAE não mostrar as fontes de recursos financeiros para a implantação da rede de coleta. Exceto se quiserem apenas bombear a água de algum rio imundo para uma dessas estações de tratamento para enganar os trouxas.

***

“Carioca de Algema” é o título de uma composição de Carlos Lyra. À época, falando da liberdade do carioca; hoje, pode perfeitamente aplicar-se aos muitos medos e decepções dos cariocas, que à noite se escondem em seus apartamentos.

Idéias, Conceitos, Projetos – Boas Notícias para o "Carioca de Algema"?

Nesta penúltima semana do ano da graça de 2007, a cidade do Rio de Janeiro leu na imprensa local duas belas notícias!

A primeira, uma decisão do prefeito de retirar da orla de Copacabana os postos de gasolina localizados em áreas públicas, no canteiro central. Segundo a imprensa, o prefeito alega razões “ambientais”. É se supor que “ambientais”, aí, seja utilizado no sentido estético, o que não torna a decisão menos importante.

Mas é curioso que a decisão não tenha se estendido a toda a orla marítima, e também aos canteiros centrais de outras avenidas de trâfego intenso, já que é evidente que esses postos de gasolina contribuem para tornar o fluxo de trânsito mais lento. Aliás, também seria interessante ter o mesmo cuidado com o aterro do Flamengo. Isso para não falar no canteiro central em frente à “vila do Pan” e aos muitos na avenida das Américas.

É interessante notar que a quase totalidade desses postos de gasolina levam a bandeira Petrobras/BR, e mesmo sem a decisão do prefeito seria muito bom ver a empresa ter um olhar de responsabilidade social e ambiental para paisagem e o trâfego de veículos, e iniciasse o processo de remoção desses postos por iniciativa própria. Assim, não restariam sombras sobre a natureza dos acordos feitos para a cessão dessas áreas públicas privilegiadas para os seus postos e todas os distribuidoras de combustíveis auto-motores poderiam concorrer em igualdade de condições. E a BR Distribuidora evitaria o risco de receber o “Prêmio Nacional de Irresponsabilidade Social e Ambiental” que poderá vir a ser concebido pelo Macaco Simão.

Desde já, a população e a imprensa podem começar a contar o prazo de 6 meses que teria dado para a retirada, descartadas decisões judiciais nas quais o grande público nunca sabe se os advogados da prefeitura efetivamente trabalharam para fazer o que o prefeito anunciou ou se foi tudo jogo de cena.

A outra notícia refere-se à decisão do governador de urbanizar a Rocinha – uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. A Rocinha já é, hoje, de fato, um bairro, com os mais variados tipos de serviços – bancos, universidadades, e outros. Urbanizá-la não é tão dificil, se houver um projeto, isto é, uma definição do percurso de novas ruas e ampliação das já existentes, soluções aceitáveis para a relocação de moradores para pequenos prédios a serem construídos no mesmo local ou nas proximidades, sistema de drenagem de águas pluviais e coleta de esgotos, definição de locais para a instalação de serviços públicos essenciais como escolas e delegacias de polícia, etc.

Mas, é possível começar com algo muito, muito simples: o levantamento topográfico que permite definir o caminhamento das ruas e as áreas a serem desapropriadas, bem como aquelas destinadas à relocação de moradores. É bom lembrar esse requisito pois no início da década de 90 um secretário de estado andou por aí todo “pimpão” com uns rolos de papel debaixo do braço dizendo que tinha o “projeto” de urbanização da Rocinha. Dizem que foi até mesmo ao Banco Mundial para conversar sobre as possibilidades de um empréstimo, quando lhe explicaram, polidamente, que aquilo não era um projeto, mas apenas alguns traçados com canetas de cores sobre uma foto aérea da Rocinha indicando ruas hipotéricas. Ou seja, no máximo um conceito ou hipótese de trabalho. Daquilo até um projeto, com custos, metas e uma análise de viabilidade econômica-social, ia e vai uma imensa distância.

Nessa época, os sistemas de posicionamento geográfico – GPS ainda não eram de domínio público, mas de uso reservado das forças armadas norte-americanas. Hoje, com meia dúzia de equipamentos que custam R$ 500,00, é possível ter pelo menos o levantamenteo topográfico com curvas de nível de 5 em 5 metros, mais do que o suficiente para dar início à elaboração de um projeto de verdade.

A cidade se anima com as boas notícias, e torce para que não caiam no esquecimento, bem como para que não se limitem a projetos “demonstrativos”, em áreas muito restritas, visíveis apenas para os visitantes, como já ocorreu em outras áreas faveladas. A urbanização da Rocinha pode e deve ser feita “pra valer”.

Recomenda à grande imprensa um acompanhamento regular dos passos dados para que as idéias se transformem em projetos e os projetos em realidades.

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A outra boa notícia seria a retomada do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, que quase 15 anos depois de ter sido iniciado e já completando R$ 2 bilhões em “investimentos”, resultou em várias grandes estações de tratamento de esgotos abandonadas. Nessa boa notícia ninguém acredita se a CEDAE não mostrar as fontes de recursos financeiros para a implantação da rede de coleta. Exceto se quiserem apenas bombear a água de algum rio imundo para uma dessas estações de tratamento para enganar os trouxas.

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“Carioca de Algema” é o título de uma composição de Carlos Lyra. À época, falando da liberdade do carioca; hoje, pode perfeitamente aplicar-se aos muitos medos e decepções dos cariocas, que à noite se escondem em seus apartamentos.

O Desmanche do Rio II – Paisagens em Desaparecimento

A cidade do Rio de Janeiro sempre foi amada, cantada, visitada e conhecida no mundo inteiro pelas suas belezas naturais e pelo estilo de sua gente alegre, cordial, comunicativa.

O estilo carioca vem mudando, e muito! Aos gigantescos engarrafamentos de trânsito devidos à total falta de planejamento e de investimentos em transporte de massa, soma-se a expansão urbana desordenada, ao sabor das conveniências das construtoras. E, como se não bastasse, a violência tornou-se endêmica, tão usual quanto o lançamento de esgotos sem tratamento nas proximidades das lindas praias da cidade. A crescente tensão é inevitável e os seus resultados já são perceptíveis no trato cotidiano com os cariocas.

Agora, é a paisagem que se vai. Não adianta a prefeitura falar em “áreas de proteção do ambiente cultural” (APACs), tombando alguns prédios sem maior valor arquitetônico e permitir que o mais precioso, as belezas naturais, sejam encobertas pela feia arquitetura.

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A foto acima, de Zeca Linhares, mostra uma área onde o gabarito foi elevado ao longo do tempo. A contínua construção terminará por ocultar a linha das montanhas no horizonte. A foto abaixo é mais divertida – ou triste -, e dá a viva impressão de um “cerco à paisagem”. Neste caso, a Pedra de Itaúna.

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Ao final, sobrarão as montanhas mais altas, como o Pão de Açucar e o Corcovado, marcos de uma cidade que já foi notável por suas belezas naturais.

Conta mestre Álvaro Pessôa que o Decreto 6.000, que na década de 30 previa a construção de apenas um pavimento na quadra da praia de Copacabana, com dois pavimentos no quarteirão seguinte, e assim por diante até o máximo de 6 pavimentos, foi tantas vezes modificado que passou a ser conhecido como Decreto 6 milhões. Essa regra era parte do “plano Agache”, urbanista francês que visitou o Rio de Janeiro em 1927, convidado a participar da elaboração do plano diretor da cidade. Desse trabalho, surgiu o primeiro grande Código de Obras do Rio de Janeiro, promulgado em 1937, e depois descaracterizado até chegarmos à opressora muralha de pedra de arquitetura de má qualidade em que se transformou Copacabana.

Agache colaobrou, mais tarde, com o planejamento urbano de Curitiba. Desnecessário dizer que do ponto de vista das belezas naturais o Rio de Janeiro é mais bonito. Mas no que se refere ao urbanismo e à arquitetura, bem, Paris lá está, lindíssima, a visão atingindo a amplos espaços, removendo qualquer sentimento de opressão do tipo que é propiciado por nossas “selvas de pedra”.

E aqui, a degradação das paisagens prossegue, célere, com todas as bençãos do poder público, mais interessado em atender interesses pontuais do que em tornar a cidade mais bela e melhorar a qualidade de vida de seus habitantes.