A farsa da responsabilidade socioambiental das grandes corporações

Em mais um excelente trabalho de jornalismo investigativo, crianças de 13 anos e até menos foram filmadas e entrevistadas colhendo café em condições degradantes para duas grandes corporações que há muito se vangloriam de seus princípios e ações de “responsabilidade socioambiental”: Nestlé e Starbucks.   Num país tropical pobre, é claro: a Guatemala.  A reportagem que apresenta de modo sumário o que lá foi encontrado pode ser lida, em inglês, aqui, e os principais trechos são transcritos em português abaixo.

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Witzel e Crivella estão se lixando para o saneamento

Em concessões onerosas, o que vai para o caixa da poder público deixa de ser investido no setor.  Esse é o X do problema na “privatização” da Cedae, seja lá qual for o modelo adotado (no caso, melhor seria dizer fatiamento)..

Há cerca de 2- 3 anos, governo federal fez o BNDES emprestar dinheiro para o governo do estado do Rio de Janeiro  dando como garantia as ações da Cedae.  Foi um ação puramente política e de “contabilidade criativa”, já que ninguém sabia quanto valiam as ações da da empresa estadual de saneamento.

E como o BNDES não teve a decência de exigir sequer a diretoria financeira da empresa no período em que deteve R$ 3,5 bilhões do dinheiro público em ações da empresa, perdeu imensa oportunidade de melhorar o seu desempenho e de minimizar a sangria.

Agora, aproxima-se a data da liquidação da dívida e o BNDES afirma ter um “modelo” de privatização” que quase certamente é puramente financeiro, sem envolver aspectos fundamentais de engenharia, tecnologia, potencial recuperação de perdas, ou mesmo da avaliação de ativos (depreciação e necessidade de substituição das redes, por exemplo).

Não houve uma due diligence de engenharia e, se bobear, esses caras vão para a licitação com o prazo mínimo previsto na lei, 180 dias!  Aí só participa quem estiver tendo acesso a informações privilegiadas.

Mas Witzel e Crivella já começaram a disputar um naco da bufunfa das concessões onerosas que excedam o valor da dívida.  Nenhum dos dois está realmente interessado em saneamento.  Como nunca estiveram.

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Eólicas offshores X turismo e lazer – Uma questão de distância da costa – O caso da Caucaia, no Ceará

Como algumas eólicas offshore estão previstas para o litoral do Rio de Janeiro e do Ceará, o tema merece uma avaliação.

As questões centrais das usinas eólicas offshore não são as tartarugas ou os pássaros.  Maneiras de contornar esses problemas já foram avaliadas e desenvolvidas há bastante tempo.  Eólicas offshore existem há quase 30 anos e ganharam fôlego nos últimos 20 anos.  Ninguém está começando do zero.

A questão central são a poluição visual e o ruído, que colidem com os usos turísticos do litoral: pousadas, lazer, esportes náuticos costeiros.  No projeto em fase de audiência pública – licenciamento garantido – na proximidade da praia e até mesmo a colocação de turbinas na própria praia liquidará ou causará um imenso dano ao turismo de Caucaia, no Ceará!  A construção de pequenos enrocamentos para conter a erosão costeira – já apresentada como medida mitigatória, que não é -, não passa do jabuti em cima da árvore, já que nada tem a ver com o projeto, tem bem mais o estilo de pura movimentação de grana.

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Solar flutuante – O mundo acelera e o Brasil marca passo

Usinas fotovoltaicas flutuantes têm grandes vantagens, entre as quais evitar o custo de aluguel da terra.  Mas têm uma grande vantagem adicional, em especial em áreas com altas temperaturas e incidência solar, além de ventos: reduzem significativamente a evaporação de água.  E os benefícios desse tipo não são sequer contabilizados no Brasil.

Isso decorre em grande parte da caretice e da compartimentação do sistema político e institucional, que impedem o mero diálogo entre áreas diferentes – quem cuida de água, cuida de água, e quem cuida de solar, cuida de solar.  E com o tamanho do ego dos brasileiros – e dos latinos em geral – fazer sugestões fora da própria caixinha institucional ou de especialização é ofensa pessoal.

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Linhas férreas através de encostas íngremes e imensas pontes sobre rios X Licenciamento ambiental no Brasil

Há dias, peguei-me assistindo e compartilhando com amigos mineiros alguns vídeos sobre as mais belas e ousadas linhas férreas do mundo.  Entre elas, o Expresso Glacial, na Suíça, cujas imagens são imperdíveis.

Não me contive e perguntei a um ex-dirigente de órgão ambiental quanto tempo levaria o licenciamento ambiental de uma coisa dessas no Brasil.  Logo após uma sonora gargalhada, ele respondeu: “1.000 anos”.

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