Degelo no Artico – Novas Evidências da Aceleração das Mudanças Climáticas

A Agência Espacial Européia acaba de divulgar novas informações sobre o degelo no Ártico, que é muito muito maior do que se pensava a partir das imagens anteriores de satélite.   O satélite norte-americano ICESat havia medido basicamente a amplitude do degelo em termos de superfície, área, enquanto o novo satélite europeu Cryosat-2 foi o primeiro que mediu a espessura do gelo, e com margem de erro de apenas 10 cm (dados consistentes com medições de baixa altitude e oriundos de embarcações, inclusive submarinos).  Há uma década, a espessura do gelo nas regiões ao norte do Canadá e da Groenlândia situava-se com regularidade entre 5 e 6 metros durante o verão; agora, esse espessura situa-se entre um e três metros no mesmo período do ano.

Combinando dados de várias fontes anteriores e atuais, os cientistas da Agência Espacial Europeia mostraram que no inverno de 2004 o volume total de gelo na área mais central da região Ártica era de 17.000 km3; em 2012 esse volume havia caído para 14.000 km3.  Nada tão assustador se essa queda não tivesse sido muito maior durante o verão, quando o volume de gelo no mesmo período caiu praticamente à metade.

Numa declaração ao jornal inglês The Guardian, Seymour Laxon, do Centro de Observação e de Modelagem do Polo da Universidade College London afirmou que “muito em breve nós vamos assistir ao momento simbólico em que olhamos para imagens de satélite e, num dia de verão, vemos que não há mais cobertura de gelo no Ártico, apenas água“.  Laxon tentou se corrigir afirmando que ainda é cedo para uma afirmação mais contundente, que essa tendência ainda poderia ser revertida, mas outros especialistas em modelagem afirmaram que os indicadores apontam no sentido contrário, isto é, as taxas de degelo – incluindo a perda de volume – só tendem a aumentar nos próximos dez anos.

Temores adicionais estão ligados à reflexão da luz para o espaço e à liberação de imensas reservas de metano que se encontram contidas pelo gelo.  Mas esses são outros assuntos e bem além dos fatos.  Os fatos – no caso, os números – são inquestionáveis e imunes ao otimismo e ao pessimismo.  Nenhum cientista cearense ou outro poderá contradizê-los.

 

 

Vazamentos de Petróleo “Secretos” e a Marcha da Hipocrisia

“Vazamentos potencialmente letais de petróleo e gás ocorrem no Mar do Norte com freqüência semanal” – noticiou o jornal inglês The Guardian nesta semana.  As informações só foram fornecidas pelo governo da Inglaterra com base numa lei que assegura a liberdade de informações e de acesso a documentos do governo ou sob a sua guarda.

O império da hipocrisia não cessa de brindar o grande público com novidades desse tipo.  Há que proteger a Amazônia para evitar o caos climático… mas sem deixar de abrir novas fronteiras de exploração de petróleo no Ártico ou no tal do pré-sal (denominação marqueteira).  E sem rampouco deixar de abrir novas e imensas minas de carvão que será exportado para a China que depois será responsabilizada por emitir CO em demasia para produzir produtos que serão consumidos os países que mais se dizem engajados no combate às mudanças climáticas.

Os documentos obtidos pelo The Guardian fazem parte do banco de dados da autoridade de regulação da saúde e da segurança ocupacional na Inglaterra.  Esse banco de dados é alimentado voluntariamente desde um grande acidente ocorrido em 1988 no qual 167 trabalhadores morreram.   Tais documentos referem-se apenas a vazamentos classificados como “grandes” ou “significativos” – aqueles que podem resultar em muitas mortes.

A Shell (anglo-holandesa) e a Total (francesa) aparecem na lista como as empresas que causaram mais vazamentos no Mar do Norte.

Na opinião do jornal, essas novas informações representam um sério golpe para a credibilidade do governo que apóia o “fervoroso desejo” das petroleiras de explorarem o petróleo do Ártico.  Recentemente, o ministro da energia, Charles Cairn, afirmou que tais operações nas águas do Ártico são “totalmente legítimas” desde que respeitado a “robusta” regulação de segurança da Inglaterra. (as aspas são do próprio The Guardian).

“Outros acidentes são mantidos em silêncio, afirmam ativistas, porque os trabalhadores temem perder os seus empregos caso os reportem.  Segundo um veterano, ainda que a todos seja dito que qualquer coisa errada deve ser reportada, na prática as equipes aderem a um código de conduta informal para manter o silêncio e evitar paralisar o bombeamento de petróleo em função dos prejuízos que podem ocorrer para as empresas.”

Metas de redução de emissões de CO só podem ser alcançadas com a redução do consumo de combustíveis fósseis.   Isso ainda não foi alcançado apesar de signficativos avanços no uso de energias renováveis e no campo de eficiência energética.  A mera conservação de florestas como forma de assegurar que essas emissões não aumentem é tolice.

Nem mesmo plantando florestas em áreas maiores do que as originàis à época da chegada de Cabral seria possível “compensar” as crescenes emissões de carbono.  Os países europeus que se comprometeram com metas investem em coisas rentáveis – seja na área de energias renováveis ou de eficiência energética, e exportam indústrias com altas emissões de CO.  Ou promovem a destruição de florestas na Ásia e na África para produzir bioombustíveis! 

Então, seria bem mais produtivo parar de fazer de conta com discursos de folhetim!