Energias Renováveis – Iniciativas Exemplares de Pequenas Cidades Italianas

Pequenas comunidades que geram mais energia renovável do que consomem?

Ao final de 2.010, isso já acontecia em mais de 800 vilarejos rurais na Itália, com turbinas eólicas entre olivais e outros plantios, segundo um recente relatório intitulado Comunidades Renováveis – 2013 já são 27 as pequenas comunidades 100% abastecidas por energias renováveis (cf. página 34, onde a sigla FT refere-se à metragem quadrada de energia solar-térmica e FV à geração fotovoltaica).

Na lista dessas pequenas comunidades, não se encontra o vilarejo de Tocco da Casauria, na região de Abruzzo.  Com os seus 2.700 habitantes, produz 30% mais energia do que consome.  As tarifas não puderam ser reduzidas devido à legislação em vigor, mas a comunidade usou a receita adicional para suprimir despesas dos cidadãos em outras áreas, como na coleta de lixo, na alimentação fornecida às crianças nas escolas, e mesmo em tarifas reduzidas no centro local de atividades de saúde.  As refeições fornecidas pelas escolas locais aos seus alunos custam menos de 1 Euro por dia!  Administrações municipais inteligentes driblam a regulamentação das concessões dos serviços de eletricidade e tomam iniciativas que beneficiam os seus cidadãos.

De fato, já são mais de 800 as comunidades italianas que geram mais energia do que consomem, segundo uma reportagem do New York Times (que não cita a fonte dessa informação).

Nada de “desapropriar” áreas para a produção de energia eólica.  As áreas necessárias à implantação das torres são alugadas ou os proprietários têm uma participação na produção, e podem continuar com os seus plantios e pastos ao redor delas.  Por que o governo se meteria num assunto de interesse exclusivo das partes.

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Diversas iniciativas estão sendo tomadas para introduzir a energia eólica em áreas urbanas ou para o abastecimento individual de edificações, colocadas sobre os telhados, como se pode ver na página de um dos fabricantes cujos produtos já estão no mercado.

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Para quem se interessa por políticas públicas na área de energias renováveis, recomenda-se um Estudo de Mercado Sobre Tecnologias Verdes na Coréia (em inglês, encomendado pela Câmara Anglo-Coreana de Comércio) no qual se evidenciam os amplos investimentos governamentais no desenvolvimento de tecnologias em energias renováveis, e/ou um artigo mais curto intitulado A Coréia do Sul e sua ambição na área de energias renováveis.

 

 

 

 

 

Energia Eólica – Expande-se Rapidamente a Capacidade Instalada de Geração no Mundo

Há poucos dias, uma empresa norte-americana – Terra-Gen Power – anunciou a finalização da estruturação financeira para a construção de uma “fazenda eólica” de 570 MW por um valor de cerca de R$ 2 bilhões.  O projeto será implantado na Califórnia.   A Terra-Gen já havia assinado, em 2006, um contrato de venda de energia eólica para uma concessionária californiana envolvendo um total de 1.550 MW de capacidade instalada.

O mercado de energia eólica cresce de maneira acelerada nos países desenvolvidos.  Em 2009, a capacidade de geração eólica instalada no mundo atingiu 160.000 MW, com um crescimento de quase 35% apesar de todas as turbulências econômicas e da recessão que marcaram o ano.  As projeções indicam que essa capacidade tende a dobrar a cada 3 anos e mantidas as atuais tendências os especialistas prevêem que a capacidade instalada no mundo atingirá 1.900.000 MW em 2020.

Evolução da Capacidade Instalada de Geração Eólica

A China tornou-se a locomotiva do mercado mundial de energia eólica e apenas em 2009 adicionou 13.800 MW à sua capacidade instalada, que foi duplicada anualmente nos últimos 4 anos.  Ainda assim, ao final de 2009 os EUA mantiveram a sua liderança mundial em termos de capacidade instalada de geração eólica, com 22.1% do total mundial, seguidos pela China com 16,3%.  Esses dois países representaram 61,9% da expansão da capacidade instalada em 2009, contra um aumento de 53,7% em 2008.

O Brasil encerrou o ano de 2009 com cerca de 600 MW de capacidade instalada de geração eólica, ou seja, menos da metade da meta estabelecida pela lei que criou o Programa Nacional de Energias Renováveis – PROINFA, promulgada em abril de 2002.  O programa embute de forma oculta na conta de luz de todos os consumidores – excetuados os de baixa renda – um pedágio para subsidiar a energia gerada por pequenas centrais hidrelétricas (PCHs com capacidade instalada igual ou inferior a 30 MW), cogeração com resíduos agrícolas (idem em tamanho) e energia eólica.

Os cinco maiores do mundo em termos de capacidade instalada para essa fonte de energia são EUA, China, Alemanha, Espanha e Índia, com o total de 72,9% da capacidade instalada no mundo, um ligeiro acréscimo de 0,5% em relação a 2008.

A produção total de energia eólica ainda representa apenas 2% da demanda mundial de eletricidade.  Mas esses percentuais são mais significativos na Dinamarca, onde a geração eólica responde por 20% da demanda de energia elétrica.  Seguem-se Portugal, com Portugal, Espanha e Alemanha, com respectivamente 15%, 14% e 9% da demanda de energia elétrica sendo supridos por geração eólica.

Turbinas instaladas no mar ainda representam apenas 1,2% do total da capacidade instalada de geração eólica no mundo, mas o crescimento dessas instalações em 2009 foi de 30%, com a maior ampliação da capacidade na Dinamarca, Alemanha, Inglaterra, Suécia e China.  Nesse campo – turbinas offshore -, a Inglaterra lidera, com 688 MW de capacidade instalada, seguida de perto pela Dinamarca, com 633 MW, Holanda, com 247 MW, Suécia com 164 MW e Alemanha com 72 MW.

Ao final de 2009, o setor de energia eólica empregava 550.000 pessoas direta e indiretamente, a maioria com alta qualificação técnica.  Estima-se que em 2012 o setor será responsável por 1 milhão de empregos.

Esse quadro pode mudar radicalmente com três países iniciando a fabricação de protótipos de turbinas de 10 MW, muito superiores às turbinas de 2,5 – 3 MW atualmente fabricadas.  Essas turbinas, com dimensões de até 245 metros entre as extremidades das “hélices” estão sendo projetadas para serem colocadas em mar aberto pelos EUA, Noruega e Inglaterra.  Ainda é cedo para falar no sucesso de tais equipamentos, mas é evidente a disputa entre esses três países para atingir a liderança na fabricação de turbinas desse porte.

O relatório sobre a evolução do mercado de energia eólica foi divulgado durante a 9ª. Conferência Mundial de Energia Eólica realizado entre os dias 17 e 19 de junho de 2010 em Istambul, na Turquia, e pode ser acessado, em inglês, no link abaixo.

http://www.wwindea.org/home/images/stories/worldwindenergyreport2009_s.pdf

Energias Renováveis – A Inglaterra Só Não Faz Porque o Blá-Blá-Blá Sobre a Amazônia É Mais Fácil

Um aprofundado estudo sobre o potencial de geração de energia renovável em áreas marítimas – incluindo eólica (no mar), de marés e de ondas -, apresenta resultados surpreendentes e promissores.

Considerando apenas o aproveitamento de 29% do “potencial prático” e a tecnologia já existente para o aproveitamento dessas fontes de energia, é possível a substituição de 1 bilhão de barris de petróleo por ano, o equivalente a toda a produção de petróleo e gás do Mar do Norte, com a redução das emissões do Reino Unido em 1,1 bilhão de toneladas de CO2, com o benefício adicional da geração de 145.000 novos empregos.

Calculados os custos de investimentos e a rápida evolução tecnológica, esses níveis de geração podem ser alcançados até 2050, tudo dependendo apenas “pelo nível de ambição da Inglaterra” e de seu desejo de transformar-se em exportador de eletricidade para outros países europeus.

O relatório enfatiza o fato de que nada disso acontecerá espontaneamente, mas que demandará um esforço do governo equivalente ao que foi feito ao longo das últimas décadas para apoiar a indústria do petróleo.

Aí é que está o problema: é mais fácil para o governo inglês dedicar-se a um infindável blá-blá-blá sobre a Amazônia, para enganar o eleitorado interno, do que livrar-se do poder do lobby da indústria petrolífera, com seus interesses já consolidados e seu fingimento de que está se transformando numa indústria de energia (exatamente como acontece no Brasil).

E isso para não falar nas térmicas a carvão que continuam sendo licenciadas e implantadas na Inglaterra enquanto o discurso farsante e falsário dos príncipes Charles da vida seguem o seu curso.

O relatório, que contem estimativas de investimentos, estudos específicos de localização, avaliação da evolução da tecnologia e outras informações, pode ser encontrado na sua versão integral, em inglês, em www.offshorevaluation.org/downloads/offshore_vaulation_full.pdf.

Não se espera, evidentemente, que a Inglaterra vá transferir tecnologia nessas áreas em benefício da humanidade.  Se fizer algo, será como “business as usual”.

Tudo isso só confirma um estudo da Shell em que são traçados dois cenários.  No primeiro, as tecnologias de energias limpas foram dominadas e petróleo – sujo – será coisa de país pobre.  No segundo, tudo continuará como está e o preço do petróleo se elevará tanto que os países pobres não poderão pagar por ele.