China Anuncia Avanços no Reprocessamento de Urânio… E Entra no Mercado Brasileiro de Eletricidade

Há dias, a China anunciou avanços na área de reprocessamento de urânio para uso em usinas nucleares que permitirão o aumento da auto-suficiência do país nessa área dos atuais 70 anos para cerca de 3.000 anos. Nada mal, em particular quando se considera que isso foi feito com tecnologia própria – ou seja, não pagarão royalties a ninguém.

A China tem, hoje, 13 reatores nucleares em operação, 26 em construção e 54 em fase de projeto. O governo do país já anunciou a sua intenção de elevar a participação da geração nuclear na matriz energética nacional dos atuais 1% para 6% em 2020. Bem menos do que os 20% dos EUA, mas em termos absolutos bem mais do que a capacidade instalada total da França.

Nos reatores em construção, a China está utilizando tecnologia Westinghouse, considerada mais segura do que a usada nos reatores anteriores, sempre sob contratos rigorosos de transferência de tecnologia.

A China já está replicando a tecnologia de seus fornecedores estrangeiros e começa a projetar os seus próprios reatores e unidades de reprocessamento. Como sempre acontece com conseqüência do planejamento estratégico chinês, o governo já planeja a venda de tecnologia para outros países, e mesmo a construção de reatores no exterior.

O país tem entre as suas metas a redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas, mas dentro de um plano de negócios bastante definido.

No Brasil, o primeiro reator nuclear, Angra I, com tecnologia Westinghouse, começou a ser construído em 1972, e só teve autorização para entrar em operação em dezembro de 1984. Esse reator foi conhecido popularmente, durante muito tempo, como “usina vagalume”.

Em 1975, num arroubo nacionalista, o governo militar resolveu demonstrar independência em relação às empresas norte-americanas e assinou aquilo que ficou conhecido como “acordo nuclear Brasil-Alemanha”, com o objetivo de construir 8 reatores nucleares. Mas Angra II só entrou em operação em 2000. E Angra III só recebeu a licença ambiental em 2010, infelizmente nas proximidades das duas anteriores, com impactos negativos para uma das mais belas áreas turísticas do país. A regra que requer o estudo de alternativas de localização não costuma ser seguida no Brasil por empreendimentos de interesse do governoi, como ocorreu, também no caos do Complexo Petroquímico de Itaboraí – COMPERJ.

Em particular como decorrência dos esforços da Marinha brasileira, o Brasil já domina o ciclo completo de enriquecimento de urânio. Mas ainda tem como meta dominar esse ciclo em escala industrial até 2014.

O país, que só prospectou cerca de 25% de seu território em busca de urânio, ainda restringe a sua cantilena sobre redução dos gases causadores de mudanças climáticas quase exclusivamente à redução do desmatamento e à produção de etanol, desconsiderando quase totalmente oportunidades de aumento da eficiência energética na geração, na transmissão, na distribuição e no uso final de energia.

Em 2010, a estatal chinesa de transmissão de eletricidade comprou sete empresas brasileiras de transmissão de energia por um valor superior a R$ 3 bilhões, tendo liquidado a dívida com o BNDES para evitar o usual lero-lero local sobre índices de nacionalização de equipamentos e produtos. Juntamente com as aquisições, as respectivas concessões por 30 anos. A principal estratégia chinesa para recuperar os seus investimentos nessa área é a redução de perdas em distâncias de até 2.000 km. A China já atingiu elevados padrões de eficiência na transmissão em 1.000 KV,enquanto o Brasil alcança o máximo de 600 KV.

Os chineses já anunciaram que têm interesse na implantação de linhas de transmissão de longa distância na Amazônia.