As Petroleiras Destroem a Nigéria – E o Silêncio Intencional é Ensurdecedor

O fotojornalista Ed Kash documentou as conseqüências das atividades das petrolíferas no delta do rio Niger. Algumas das fotos, mostradas pelo jornal inglês The Guardian, foram expostas na galeria The Host, em Londres, em 2010.

Na região, as pessoas já não conseguem viver em decorrência da água envenenada e da impossibilidade de cultivar a terra cuja produtividade caiu drasticamente em decorrência das chuvas ácidas.

Cerca de 20 mil hectares de manguezais desapareceram do delta do Niger, com efeitos devastadores sobre a pesca, ainda que exista um tratado internacional sobre a proteção de manguezais que está em vigor e foi subscrito até mesmo pelos EUA, que não gostam de acordos externos que não lhes sejam favoráveis, e pela Inglaterra, que ainda não se decidiu se é um país membro da União Européia ou uma província norte-americana.

As estimativas são de que 9 milhões de barris de petróleo vazaram nos últimos 50 anos, contaminando a terra e a água.

Da série de fotos que podem ser vistas no link abaixo, a 8/20 mostra trabalhadores de uma empresa terceirizada da Shell em caricata operação de limpeza de um poço abandonado. Em caso de dúvida, é isso mesmo que se vê: o único com uniforme da Shell, em primeira plano, é uma espécie de capataz armado com um facão.

Na todo 6/20, a legenda informa que centenas de pontos de queima encontram-se em constante atividade, liberando gases causadores de mudanças climáticas.

Esses gases não constam de nenhum inventário internacional desses que colocam o Brasil entre os principais países responsáveis por essas emissões.

A foto 1/20 trás na legenda a informação de que o vazamento continua num poço abandonado pela Shell há 25 anos.

Na foto 2/20 é possível ver as condições de trabalho e da legenda consta a informação de que a destruição do delta e as chuvas ácidas liquidaram com a pesca que historicamente alimentou essa população.

Este tema já foi objeto de um artigo no blog à época do vazamento de petróleo no Golfo do México, mas como as imagens falam por si mesmas e mais alto, vale vê-las clicando aqui.

As petroleiras responsávei por tal devastação têm ISO 14.000, estão listadas nas bolsas dos países desenvolvidos como socio-ambientalmente corretas, fazem marketing usando a “sustentabilidade da cadeia produtiva”, etc.  E tambem fazem doações a ONGs com atuação internacional na defesa das florestas tropicais, que silenciam e se omitem quando se trata de algo que não seja visível para a opinião pública.

No Brasil, a Shell investe pesadamente no setor de produção de etanol e afirma querer transformar o país numa plataforma internacional para a exportação sesse combustível.  Os tais créditos de carbono vão para os países importadores, é claro.